sábado, 6 de maio de 2017

Análise 59: Vulgus [Arcade]

Pela primeira vez neste blog vou discorrer sobre um jogo da Capcom, que joguei por meio da Capcom Classics Collection Vol. 1 do PS2 - mais uma maravilhosa coletânea de minha coleção de jogos. Vulgus vem do latim e significa "povo". Sinceramente não faço ideia da relação entre tal etimologia e o jogo propriamente dito, mas fato é que Vulgus é o primeiro jogo de arcade lançado pela Capcom em 1984 no Japão, e lançado pela SNK nos Estados Unidos no mesmo ano. Trata-se de um jogo de tiro com naves em progressão vertical no estilão de Galaga e Xevious, mas com uma maior velocidade e ainda mais coisas acontecendo na tela.

Retirado do site Arcade Museum

O jogo tem como único objetivo atirar nos inimigos pela tela, que progride sem mudança de fases, mas com mudanças de terrenos. O modo de jogo é bastante semelhante a Xevious que analisei aqui no blog recentemente: a nave tem uma munição ilimitada de tiros comuns e algumas bombas de uso limitado. Ao colher o ícone de nome pow os suprimentos da nave são recuperados. Os cenários variam entre o espaço e a superfície de um planeta, fazendo um ótimo trabalho em apresentar uma escala épica ao jogo - afinal você pilota a nave para além da órbita planetária. Isso gera uma boa variação da jogatina, deixando as coisas mais dinâmicas. Apesar de os inimigos não variarem muito, os visuais são até um pouco mais detalhados que em Xevious por exemplo, portanto trata-se de um jogo com ótimos gráficos para sua época. Tudo flui muito bem e Vulgus se destaca entre seus contemporâneos, mostrando um polimento que seria típico da Capcom futuramente. Mas o jogo é divertido?


Apesar de muito bonito (mesmo que com inimigos monotonamente repetitivos) a trilha sonora de Vulgus é cronicamente ruim. A mesma musiquinha tensa se repete indefinidamente e ao invés de animar o jogador ela é um desmotivador para zerar o jogo. Em uma tendência contrária, os controles são excelentes: precisos e redondos, que aliados a uma intensa dificuldade tornam o jogo deveras desafiador. O jogador dispõe de tiros comuns e canhões limitados, que quando acertam uma fileira inteira de inimigos, proporcionam uma pontuação extra, gerando muita satisfação ao acertar o tiro sequencial - que não é uma tarefa das mais fáceis. O tempo todo o jogo tenta explodir sua nave, exigindo uma certa dedicação do jogador para aprender os padrões das naves inimigas, que são bastante variáveis a ágeis.

Sair da superfície do planeta para o espaço
cria uma sensação de escala épica muito interessante.

Vulgus, apesar de alguns defeitos, tem a
marca do polimento típico da Capcom.
Vulgus é um jogo sólido e muito bem feito, como comentei lá em cima, tem um polimento típico dos jogos da Capcom. Infelizmente a música é horrorosa e os inimigos são repetitivos. Mas acontece que Vulgus faz tão bem aquilo que propõe, que as falhas não impedem de ser um jogo divertido. Se você tiver o mais remoto interesse por jogos de shoot'em up, Vulgus vai te divertir. Apenas não éum clássico inesquecível por suas falhas. De toda forma é um jogo bem feito e divertido, valendo também por sua importância histórica em ser o primeiro Arcade da Capcom.






Jornada Atari 2600 Edição 20: A Busca por um Lugar ao Atari em 1983

Continuando com a caminhada épica da Jornada 2600, ainda vamos falar sobre jogos lançados no ano de 1983 para o Velho Atari. Em meio a muitos clones e variações, é óbvio que tem muita coisa que merece ser lembrada e jogada neste console. Porém, devido ao grande volume de jogos entre 1982 e 83, é de se esperar que muitos títulos sejam cópias de outros mais famosos ou menos conhecidos... Portanto, os jogos que forem "clones" - como ocorre muito com Space Invaders, Pac-man e Defender - vou buscar ser um pouco mais sucinto para evitar que a postagem fique enjoativa ou cansativa. Vamos então conhecer mais jogos de 83...

Começamos nesta edição com Great Escape, que resumidamente é um jogo de nave sem graça de dar dó.Vamos então a algo mais interessante... Halloween é um jogo de aventura bem ambicioso para o Atari. Nele controlamos uma moça que precisa fugir de um assassino com a faca e salvar umas crianças no processo. O jogo é surpreendente por conseguir provocar sustos. Sim senhoras e senhores, uma experiência de terror no Atari 2600. E as mortes são bem violentas, com direito a decapitação e sangue jorrando. É ver para crer. Tem partes do cenário em que as luzes ficam piscando loucamente, para atiçar ainda mais o medo. O jogo fica repetitivo rapidamente, mas tem um impacto muito interessante se comparado aos outros jogos da mesma época. Jogue e se surpreenda. Infelizmente, porém o jogo é raso, mas isso não o impede de impressionar. Harbor Escape é mais um clone, dessa vez de River Raid. Aqui acertaram em cheio. Tem tudo o que faz o original divertido e clássico. Só mudou a temática. Aqui controlamos uma lancha que precisa escapar de um porto- como entrega o título. É meio descarada a cópia, mas ficou muito bem feita, portanto, é divertido. Depois desses bons momentos, chegamos a um nome um tanto estranho: I Want My Mommy é um jogo de plataforma mais ou menos no estilo de Lode Runner no qual o personagem deve fugir de inimigos. Além disso é preciso fazer ligações entre cada plataforma usando diapositivos/pontos de controle no chão e assim chegar ao topo. Porém passamos de fase só ao juntar todos os pontos de acesso. É um joguinho simpático e capaz de divertir, superou minhas expectativas causadas pelo título bobo.



Seguindo com esta safra de 1983, James Bond 007 é um clone de Moon Patrol mas que funciona. Nele, o agente de Sua Majestade controla um veículo de combate capaz de saltar e atirar. É um jogo desafiante e com bons gráficos e bom controle, apenas peca por ser (muito) repetitivo. Keystone Kapers é aquele famoso jogo de polícia e ladrão com gosto de infância - sim, eu nasci em 1990 e não joguei Keystone Kapers na infância, mas eu brinquei muito de polícia e ladrão na rua da casa de minha vó, então esse jogo tem um gosto todo especial para mim. Publiquei uma análise sobre ele aqui no blog ano passado, vejam a postagem para maiores detalhes. Depois destes bons momentos, cheguei a Kool-Aid Man, que é um jogo psicodélico no qual controlamos uma jarra arredondada, daquelas de cafeteira. É meio difícil entender o que está acontecendo, tirando assim qualquer possibilidade de diversão do jogo. Não recomendado... London Blitz é um jogo em primeira pessoa no qual navegamos por um labirinto em que tudo é rigorosamente igual, sem nenhuma variação e sem ação. Assim, London Blitz tem a honra de ser um dos jogos mais parados e sem graça nessa jornada.


Marine Wars é um shooter da Konami que lembra um pouco Space Invaders (sem se encaixar na categoria de clone) mas com navios de guerra. Muito interessante, bem feito e com bons gráficos. Recomendo. Depois, uma sequência de jogos fracos nesse período... Master Builder é um jogo peculiar no qual controlamos um pedreiro  (!!!) Que precisa construir um prédio sozinho (!!!!!!!)... É um jogo meio bugado e desinteressante, mas ganha pontos pela originalidade. Miner 2049er é um jogo de plataforma até interessante, mas eu não sei o que fazer depois de pegar todos os itens da fase e matar os inimigos... então este aqui não deu mesmo. O momento de suplício digital continuou com Mines of Minos que é um jogo de labirinto nada interessante. 


Missile Control é meio cópia de Missile Command mas muito mais punitivo, nem dá tempo de se divertir com ele e já dá game over. Mission 3000 A.D. é um shooter multidirecional estilo Bosconian e Sinistar. Muito bem feito e divertido, mas a falta de um objetivo maior faz com que seja repetitivo e enjoe rápido, diferente dos outros dois jogos que citei comparando. Mogul Maniac é sobre ski na neve com uma visão em primeira pessoa, mas muito lento para ser divertido. Moonsweeper é um shooter osso duro de roer, com o perdão da gíria arcaísta. Tem uma perspectiva interessante e surpreendente, variando entre tiroteio no espaço e na superfície de uma lua - como diz o título.  Um ótimo jogo!


Já fazem algumas edições que venho usando clássicos de arcade que analisei aqui no blog para descrever jogos do Atari 2600, e acredito que isto seja um sintoma negativo da falta de originalidade que assolava os desenvolvedores nessa época. Ressalto que não quero dizer que não credito isto à falta de ideias, mas sim que o hardware disponível e o conhecimento da mídia interativa ainda era limitado. Embora tenham surgido jogos incríveis e divertidos de se jogar até hoje, fica claro que nesse período poucos títulos realmente propunham algo novo, e talvez isso explique a saturação e a crise pelas quais os videogames passaram em 1983. Isso também pode ter sido resultado de uma busca desenfreada por um lugar ao sol na biblioteca do Atari 2600... Eventualmente vou falar sobre isso em alguma publicação futura, mas por ora fecho a vigésima edição da Jornada Atari 2600 com sentimentos mistos sobre os jogos que vimos nesta publicação.

Destaques: Harbor Escape, Keystone Kapers, Marine Wars, Moonsweeper
Piores momentos: Great Escape, Master Builder, Miner 2049er, Mines of Minos, Missile Control, Mogul Maniac.


quarta-feira, 3 de maio de 2017

Análise 58: Xevious [Arcade]


Seguindo com as análises deste blog, chegou o momento de falar sobre mais este importante shooter vertical de Arcade. Xevious foi lançado para os fliperamas pela Namco em 1982 no Japão, chegando ao mundo ocidental pela Ataricem 1983. Desenvolvido com base no hardware das máquinas de Galaga, esse jogo propõe uma evolução ao estilo edificado por Galaxian e consagrado por Galaga. Mas Xevious é tão bom quanto esses jogos? Vamos discutir nessas próximas linhas...


Xevious foi desenvolvido por Masanobu Endo, que também se tornaria notório pelo jogo Tower of Druaga, e trouxe inovações importantes ao estilo shooter: desta vez a jogatina não se passa no espaço, mas sim em ambientes diurnos consistindo em florestas e rios - variedade esta permitida por maiores recursos de memória deste arcade. Com uma progressão vertical a aeronave Solvalou deve destruir objetos voadores não identificados e bases inimigas enquanto voa por sobre florestas e rios em 16 cenários. Os visuais têm um nível de detalhamento convincente para a época, sendo agradável de se ver em movimento. 


Em alguns momentos é preciso destruir bases inimigas usando bombas em cada núcleo. Tais bombas devem ser atiradas usando uma mira fixa que fica na frente da nave. Funcional, mas não tão simples quanto parece. Este é um dos primeiros momentos de lutas contra "chefões" nos videogames. Os controles são intuitivos, maravilhosamente responsivos e redondos, além de fáceis de aprender. E isso é fundamental, porque Xevious é um jogo difícil. Muita coisa acontece no cenário ao mesmo tempo e sem perda de velocidade, e o jogador será exigido o tempo todo. A dificuldade aliada a controles tão bons faz com que o jogo seja desafiante e nunca frustrante, sempre instigando o jogador a seguir em frente e se aprimorar. 





 

O tiroteio tem toda uma história cheia de  detalhes, surpreendente para um jogo dessa época. Os sons não estão a frente de seu tempo, ao contrário dos gráficos e sistema de jogo. Mesmo assim Xevious soa cativante. Apesar de não ter o impacto imediato de Galaga, é um jogo muito bem feito e divertido que vale a pena ser jogado em qualquer época. Difícil, divertido e memorável, Xevious é um exemplo de shoot 'em up vertical capaz de cativar até hoje.


 

terça-feira, 2 de maio de 2017

Jornada Atari 2600 Edição 19: Gauntlet no Atari???

Mais um produtivo mês chegou ao final de Abril neste blog sobre retro gaming. Maio vem começando com tudo. Neste momento me sinto bastante envolvido com o objetivo de terminar de jogar o catálogo de títulos oficiais do Atari 2600. Nessa edição da Jornada temos alguns altos e baixos nos jogos de 1983 para o Atari 2600. Começaremos por um dos grandes momentos: Enduro é um jogo de corrida muito bem feito da Activision, em minha opinião um dos melhores jogos de corrida da década de 1980. Clássico total do Atari 2600, assim como Pitfall e River Raid, conseguiu envelhecer muito bem. Publiquei uma análise sobre ele aqui. Depois de fritar o asfalto, passei para Fathom, jogo no qual você controla um golfinho que deve salvar uma sereia no fundo do mar. Sinceramente não consegui descobrir como salvá-la e acabei desistindo pela frustração mesmo.


Fire Fly é um shooter bizarro com um personagem lento e inimigos muito rápidos, sendo a receita para um jogo desinteressante.  Flash Gordon é mais um jogo de tiro estilo Defender com ótimos visuais mas com controle travado e dificuldade absurda. É um jogo muito bem feito visualmente falando, mas infelizmente fica frustrante muito rápido, mas de uma forma não estimulante. Vale conferir, mas sem grandes expectativas.


Frankenstein's Monster é meio que um clone de Pitfall mas em tela fixa e com temática halloween, no qual fugimos de Frankenstein evitando aranhas e obstáculos. Os controles são ruinzinhos, mas talvez eu tenha ficado mal acostumado com Pitfall... Mas vale conhecer pois não há muitos jogos assim na época antes de Castlevania. Frostbite é um dos grandes nomes do Atari mas nunca gostei muito desse jogo e minha opinião sobre ele não mudou. Entendam, não considero ele um jogo ruim, apenas esperava muito mais dele devido a sua reputação. Escrevi uma análise sobre ele aqui. Depois conheci mais dois jogos de tiro - e como tem jogos de tiro no velho Atari!!! - Gangster Alley é um jogo de tiro absurdamente sem graça, do qual recomendo vocês passarem longe... Gas Hog é um pouco melhor, mas é um clone bugado de Moon Patrol. Não tem o que fazia do original um bom jogo, portanto também é um jogo não recomendado.


Antes de carregar a rom de Gauntlet, fiquei pensando se esse não seria parte da franquia, ou até um precursor... Confesso ainda que estava até ansioso e curioso para jogar, afinal, Gauntlet é o tipo de jogo que não tem erro, certo? Bem... Para minha surpresa não tem nenhuma relação com os clássicos jogos de estilo medieval nos fliperamas. É uma espécie de corrida de obstáculos com visão aérea e péssimos controles. Que balde de água fria! Não recomendo...

Daí passei para o ponto baixo desta edição com Ghost Manor.  O jogo é uma nhaca. Desculpem a linguagem mas é horroroso. Vocês sabem que tenho sido paciente com os jogos nessa jornada. Mas com esse aqui não deu não... Depois fui para o jogo de uma franquia famosa da qual nada conheço. G.I. Joe: Cobra Strike lembra um pouco o Breakout. Nele devemos usar uma barra para proteger os "hominhos" dos tiros da cobra, além de poder também atirar nela. Ele requer o controle paddle, então não consegui jogar com precisão, então ficou  frustrante rápido. Mas deve ser divertido com o controle certo. Termino a edição citando Glacier Patrol, que é mais uma tentativa de ser Space Invaders mas é travado e frustrante. É mais um jogo que parece ter sido feito sob encomenda na época e sem um trabalho de polimento.

E assim eu encerro mais uma edição da jornada Atari 2600 com alguns jogos de 1983. A próxima e vigésima edição da Jornada ainda vai abordar jogos lançados em 1983. Até lá!

Destaques: Enduro, Frankenstein's Monster
Piores momentos: Fire Fly, Gangster Alley, Gas Hog, Gauntlet, Ghost Manor




sexta-feira, 28 de abril de 2017

Análise 57: Sinistar [Arcade]



Ainda no clima das postagens da Jornada Atari 2600, na qual estou jogando os jogos lançados em 1983 para Atari 2600, joguei recentemente outro jogo de arcade dessa época: Sinistar. Em 1983 a Williams Electronics lançava Sinistar para os fliperamas/arcades. Para ser bem sincero, fui saber da existência de Sinistar somente ano passado em 2016 por causa daquela maravilhosa coletânea de PS2 chamada vocês-sabem-o-nome que eu vivo jogando e usando para análises aqui no blog. Nunca vi uma máquina de Sinistar na minha frente - e para ser ainda mais sincero, nunca vi pessoalmente uma máquina de arcade dos jogos analisados aqui no blog. Mas tive o privilégio de poder jogar tais jogos, assim como tive o privilégio de jogar Sinistar.



Trata-se de um shooter multidirecional aos moldes de Bosconian, porém com uma estrutura de fato bem diferente. Não é apenas sobre reflexos, mas Sinistar é sobre paciência. Sim, meus caros, paciência. Nas minhas primeiras rodadas jogando, obviamente sem ler instruções sobre o jogo,saí espalhando tiros pelo espaço, desviando de fogo inimigo, até que eventualmente uma enorme cabeça em forma de caveira engolia e explodia minha nave. E assim sucessivamente até o game over. Imaginei que se eu fosse mais esperto, poderia evitar o ataque, mas não. era sempre uma questão de tempo até a caveira me pegar e eu não podia fugir. E conforme a caveira me chamava de covarde com uma voz digitalizada muito interessante - lembrando muito Bosconian - o jogo pedia minhas iniciais para registrar a pontuação.

 

Depois de digitar covardemente algumas iniciais, eu resolvi dar uma lida na premissa do jogo e tentar entender seus detalhes, pois não era possível que um jogo "high profile" da Midway fosse tão frustrante. Devia haver uma forma de lutar contra a caveira gigante - ou melhor, lutar contra Sinistar. E realmente é esse o foco do jogo. Aqui, controlamos uma nave em uma espécie de ataque individual em zonas diferentes. Pelo cenário estão espalhados asteróides/planetóides no qual podemos atirar - e de fato no início eu desisti de atirar neles, pois eles não explodiam facilmente. Pois bem, atirando o suficiente eles liberam umas "bolinhas" brancas que o jogo chama de cristais. Esses cristais formam as "Sinibombs", que a partir daqui vou chamar de bombas sinistras. O jogador precisa formar essas bombas antes que a caveirona ataque, e então buscar destruí-la usando as bombas antes que ela fique completa. E eu sei que já vi isso antes em Star Wars: Uma Nova Esperança.


É preciso agilidade para juntar as bombas, e os inimigos podem até roubar cristais de sua nave, impedindo que a estação bélica/caveira sinistra seja destruída. Os gráficos têm um estilo pixelizado, mas alguns efeitos de explosões são vetoriais, como em Defender. Os sons são impressionantes para o ano de lançamento, com voz digitalizada de Sinistar - creditada a um famoso radialista norte-americano da época chamado John Doremus - sempre provocando o jogador: "Beware, I live"; "Run, Coward!"; entre outras. Os sons das explosões colocam o jogo no clima certo, sendo este creditado como o primeiro título a usar som stereo.

 

Os controles são ágeis e respondem maravilhosamente, movimentando a nave em oito direções. Paciência e agilidade devem ser dosadas nesse jogo, pois se tentarmos destruir um planetóide rápido demais, ele explode sem deixar cristais para o jogador. Os inimigos também não dão trégua, e como eu disse antes, podem roubar cristais preciosos do jogador. Assim, concluo esta análise dizendo que Sinistar é um jogo sobre paciência, ritmo e agilidade - ou seja, sobre o timing correto das coisas. Infelizmente este jogo não ficou tão famoso quanto outros petardos da época. Talvez seja reflexo da crise dos videogames de 1983 (assunto do qual eventualmente discorrerei no futuro), porém mesmo assim este jogo poderia e deveria ser mais conhecido pelos jogadores. Desafiante e divertido ao extremo, Sinistar dá um aviso claro a quem jogá-lo hoje em dia: "Cuidado, eu vivo". 


quarta-feira, 26 de abril de 2017

Jornada Atari 2600 Edição 18: O Nível dos Jogos Continua Alto

Após uma semana fora das publicações - mas não sem escrever - volto às teclas com café ao lado antes de mais um dia de trabalho. Aqui tenho o prazer de expressar minha ideias sobre um hobbie de que tanto gosto: jogos antigos. E aqui continuo firme e forte com mais uma edição da Jornada Atari 2600, coluna esta na qual me propus a jogar todos os jogos do Atari 2600 mais ou menos em ordem de lançamento. Mais ou menos porque a cada ano de lançamento, sigo uma ordem mais ou menos alfabética. Essa imprecisão porém, não impede de mostrar o cenário em que este console viveu em seu auge. O ano é 1983, e ainda teremos muito o que falar sobre este ano. Hoje, porém, o foco são os jogos a seguir. 

Alien's Return é mais um jogo estilo labirinto à-la Pac-man, mas lento e irritantemente monótono. Assault é um shooter estilo Space invaders com uma boa movimentação e velocidade que tinha tudo para ser divertido, porém os controles derrubaram o que seria um bom jogo. Para atirar, é preciso apontar o direcional para cima, e assim sacrificamos qualquer precisão que poderíamos ter na movimentação, fator fundamental para um bom jogo de tiro. Uma pena. E assim segui com os jogos desta edição... Bank Heist a princípio me causou rejeição pelo nome: não acho que um jogo com a premissa de assalto a banco seja algo legal (E mesmo assim, gosto muito de GTA. Que hipocrisia, não?), mas logo ao começar, me apaixonei pelo jogo. Sim senhoras e senhores, estou sendo hiperbólico, mas esse jogo merece. Bank Heist aborda o estilo labiríntico de Pac-man como poucos outros jogos: nele controlamos um carrinho que mais lembra um fusca e coletamos dinheiro espalhado pelo caminho - portanto nem é um assalto... E a cada dinheiro que pegamos, carros começam a perseguir o  fusquinha esperto. O jogo é simples de jogar mas diverte muito. Uma grande surpresa escondida no Atari 2600, vale muito a pena conhecer.






Beamrider é mais um shooter, porém é tão bom que só podia ser da Activision. É um jogo de tiro com naves em progressão vertical com um ângulo de visão em perspectiva com uma excelente sensação de profundidade e distância nos cenários e naves inimigas, lembrando muito o jogo Silpheed de Sega CD que meu grande amigo Cassio destrinchou em seu blog Junk Tech. Excelentes controles completam este clássico, que não faço ideia do porquê de não ser super famoso e conhecido. Depois desses grandes momentos na Jornada, era o momento de jogar Bobby Is Going Home, que tenta ser um jogo de plataforma estilo Pitfall, mas não rolou. O jogo é lento, com um ritmo quase glacial.  Boing! É um clone de Q*Bert muito bem feito. Controlamos uma bola de futebol que deve fugir de inimigos, agulhas e ainda preencher todos os quadrados no cenário. Jogo bem feito e divertido, recomendado apesar de não ser original. Bump 'n' Jump é um jogo de carros com visão aérea lembrando vagamente o Spy Hunter. Nele podemos fechar carros e inimigos, além de precisar saltar para sobreviver ao percurso. É um jogo frustrante de difícil, mas apesar disso é divertido e interessante. China Syndrome é um jogo interessante de puzzle e reflexos rápidos explorando as cores primárias. É original, mas não segura por muito tempo.


Mal suspeitava eu de que o próximo jogo seria absurdamente surpreendente. Chuck Norris Superkicks é um jogo de ação com um estilo todo próprio: você começa controlando o Chuck Norris em uma estrada e entra em batalhas aleatórias  (!!!) como em um RPG mesmo. Ao mudar de tela assumimos o controle livre do personagem em lutas. É um jogo muito ambicioso para o Atari 2600 e ainda por cima funciona muito bem. O problema são os controles, que exigem uma combinação entre direcional e o botão de ação para realizar chutes ou socos. Fica meio frustrante, mas eu entendo que isso é mais uma limitação do Atari em si do que um problema com o jogo. Congo Bongo é um clone obscuro de Donkey Kong, porém realmente não funciona bem - pelo menos a versão de Atari 2600. Crackpots é um jogo curioso: nele você precisa derrubar potes de flores sobre aranhas antes que elas subam pelo muro. É surpreendentemente divertido, com ótimos controles. O cenário foi reciclado diretamente de Keystone Kapers... Mas como é da Activision, acho que eles podem...


Crash Dive é mais um excelente jogo de tiro com estilo em scroll lateral, lembrando Scramble e Gradius. Nele controlamos um avião que faz as vezes de submarino, podendo mergulhar no oceano. Os controles são excelentes, os gráficos muito bem feitos e cheios de pequenos detalhes, como o espirro de água quando a aeronave mergulha... Vale muito a pena conhecer. Cross Force aborda o estilo shooter de um jeito muito original: nele, controlamos duas barras - uma em cima e a outra na parte de baixo da tela. No meio da tela há inimigos que atiram em suas barras. Ao usar o botão de ação, uma espécie de raio surge entre as duas barras destruindo o que estiver no caminho. O jogador deve manobrar essas barras e destruir alvos para aumentar a pontuação. Os controles são bons e o jogo é divertido, mas prepare-se para um alto nível de dificuldade. Death Trap é um jogo de tiro no qual temos que destruir duas armas enormes com uma barra de energia que leva a eternidade para descer... Os controles são bons e o jogo é inteligente em seus pequenos detalhes, mas exige muita paciência em um gênero que acabei de inventar: "comer a sopa pelas bordas simulator". Pessoalmente, não consegui toda essa paciência, como vocês devem imaginar.
 
Em Dolphin controlamos um golfinho que deve fugir de algo parecido com uma lula gigante. Os controles são bons e é preciso aproveitar as correntezas para ganhar velocidade. Esse jogo faz um excelente trabalho em transmitir a sensação de suspense conforme a lula se aproxima. Um jogo muito bem feito, mas não se esperava menos da Activision nessa época. Finalizando os jogos da edição, Donkey Kong Junior é uma conversão do original de Arcade. Ano passado publiquei aqui no blog a análise da versão de NES - que pode ser lida aqui. Esta versão do Atari 2600 é bastante simplória e com controles inferiores ao arcade e ao NES, como esperado. Mas isso não impede que seja um bom jogo. É um título até surpreendente para o Atari 2600 que cumpre bem a proposta do jogo original, exigindo reflexo, velocidade e alguma estratégia.

Mesmo em versão reduzida, Donkey Kong Jr é inconfundível.

E aqui termina mais uma edição da Jornada Atari 2600, na qual estou a passos largos de jogar todos os jogos da biblioteca de Atari 2600. Essa foi mais uma edição muito divertida, e a essa altura do catálogo do velho Atari, posso dizer que o console tem muitos mais jogos bons do que eu esperava. Com certeza o velho Atari 2600 é uma agradável surpresa.

Destaques: Beamrider, Bank Heist, Chuck Norris Superkicks, Cross Force, Dolphin, Donkey Kong Junior.
Piores momentos:  Alien's Return, Bobby is Going Home, Congo Bongo. 


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Análise 56 - Blaster [Arcade]


Desenvolvido por Eugene Jarvis e lançado pela Williams para os arcades em 1983 - hoje em dia uma máquina extremamente rara de se achar - é um jogo de tiro em 3D em primeira pessoa no qual controlamos uma nave. Pela história podemos perceber que é uma espécie de sequência de Robotron 2084, embora tenha um sistema de jogo completamente diferente. Como diz o anúncio do jogo na época, trata-se de um simulador espacial em primeira pessoa, e surpreendentemente é isto mesmo que Blaster entrega: um dos shooters mais divertidos e intensos da primeira metade da década de 1980.



O incrível gabinete de Blaster


Os gráficos têm um estilo vetorial assim como Defender e Robotron 2084, e os sons seguem o mesmo caminho. Devemos atirar em inimigos e eventuais asteróides pelo caminho, com a movimentação da nave praticamente fixa e determinada para frente. Junto com Tempest, este parece ser um dos precursores do que chamamos hoje de Rail Shooters - jogos como Star Fox, Panzer Dragoon, House of the Dead, entre outros. Falando em Star Fox, é muito interessante como Blaster parece ser uma versão em protótipo do clássico de Super NES. Os controles da nave determinam para onde o tiro é mirado, e é possível evadir de obstáculos e destroços de inimigos abatidos.



A nave ao perder toda a energia. Repare na busca pelo realismo
e imersão do jogo ao mostrar o "pára-brisa" trincado

Se isto não lembra Star Fox - ou será se Star Fox não lembra isto -
então não sei de mais nada.
  


Cada seção do jogo tem um motivo diferente, indo desde tiroteio desenfreado até resgate de astronautas à deriva. A nave possui uma barra de energia, que quando zerada, resulta na perda de uma "vida". O jogo fica intenso rapidamente com um nível de dificuldade característico daquela época nos fliperamas. A movimentação dos elementos na tela é ágil e fluida, passando muito bem a sensação de estar pilotando uma nave. No Midway Arcade reasures de PS2 já foi muito bacana a sensação de controle, fico imaginando o impacto de Blaster nos arcades em 1983. 



 

As características de Blaster convergem para um jogo impressionante. É estranho que não seja um jogo tão lembrado hoje em dia, pois na época usou muito bem seus recursos para mostrar um jogo a frente de seu tempo. Se você gosta de Rail Shooters, recomendo conhecer Blaster - provavelmente vai ficar rapidamente envolvido neste tiroteio tridimensional. Recomendadíssimo!