segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Análise 48 - Bubbles [Arcade]



O mês de fevereiro tem sido pesado no trabalho, mas mesmo assim relativamente agitado neste blog. Hoje, trago um dos jogos mais bizarros de que já tive notícia... Bubbles é um jogo de arcade lançado pela Willians em 1982. Trata-se de um título um tanto obscuro e não tão bem recordado pelos jogadores. E não é para menos, pois a premissa é no mínimo peculiar: o jogador controla uma bolha de água em uma pia, limpando sua superfície ao mesmo tempo em que evita inimigos. Desenvolvido por John Kotlarik e Python Anghelo, foi uma tentativa de criar um jogo no estilo de  Pac-Man com uma abordagem mais simpática, por assim dizer. 



Bubbles é um jogo de ação com alguns elementos leves de puzzle em um ângulo de vista aéreo. O jogador deve manobrar a bolha e capturar formigas, migalhas e gordura antes que essas coisas alcancem o ralo da pia. Quanto mais detritos são capturados, mais a bolha cresce, chegando a ganhar olhos e boca. Nessa hora, a bolha não é mais vulnerável aos esfregões e buchas que estão competindo com ela pela limpeza, rebatendo esses objetos ao invés de perder uma vida. 








A pontuação é aumentada quando conseguimos jogar tais utensílios da cozinha no ralo. É preciso também tomar cuidado com as baratas (que encanamento é esse...) só podem ser eliminadas se a bolha estiver com uma vassoura grudada- esta última adquirida só quando absorvemos a gnoma com a vassoura. Maluco? Sem dúvida alguma. A fase termina quando toda a sujeira da pia sumir. Se nessa hora a bolha tiver um rosto completo, o jogador passa ao próximo nível. Caso contrário, começamos de novo a fase com uma vida a menos. Há um atalho para passar de fase, em que é possível conduzir a bolha com o rosto completo até o ralo quando ele piscar em verde. Mas uma vida é perdida se levarmos a bolha ao ralo em outras condições.
 




Uma rara e feia máquina de Bubbles em ação

O mérito de Bubbles é ser completamente diferente do esperado para qualquer época - talvez hoje em dia nem tão peculiar devido à ousadia dos jogos indies, enfim... Ao mesmo tempo em que isto é uma fraqueza, pois como o jogo todo se passa em uma pia suja, é muito fácil de enjoar. Mesmo tendo um alto nível de desafio e mesmo com uma proposta inteligente para o estilo de jogo de Pac-man, Bubbles enjoa surpreendentemente rápido. Os controles, como é de se esperar, são escorregadios e para manobrar a bolha é preciso muitas tentativas e erros, mas mesmo assim é no  mínimo interessante o jogo. Do ponto de vista técnico é um jogo muito bem feito considerando sua época de lançamento, mas ele não consegue prender por muito tempo. Bom, eu pelo menos não consegui jogar muito tempo. Pude conferir esse título pela coletânea de ps2 Midway Arcade Classics, no qual acredito que seja o melhor formato para esse jogo. Não é um clássico mas consegue divertir por uns minutos! E vocês? Chegaram a conhecer esse jogo?


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Jornada Atari 2600 Edição 08: Ainda em 1982, Salvos por Yar's Revenge

Phoenix é surpreendente
A Jornada Atari 2600 continua e agora a bola da vez é Phoenix, um shooter vertical estilo Galaga, super rápido e intenso. Excelentes controles e um bom visual acompanham um tiroteio espacial emocionante e frenético. Os inimigos são diversificados e alguns deles devem ser atingidos em pontos-chave para serem vencidos. O problema é que tive de usar a tecla de mudo porque os sons do jogo irritam em questão de 30 segundos. Fica tocando em loop uma frase atonal e tensa, provavelmente para causar uma sensação de urgência ao jogo, mas não ficou nada legal. Phoenix, no entanto, é um ótimo jogo, é só colocar no mudo que ele demora para enjoar...



Ao centro da tela, Indiana Jones, inconfundível...



Aí eu fui seguindo com os próximos e daqui foi decepcionante, comparando com o nível dos jogos das edições anteriores, que mesclavam clássicos, surpresas e bombas. Era mais equilibrado, e nessa parte da jornada, as coisas penderam para o negativo. Raiders of the Lost Ark é triste... Me lembrou muito o jogo E.T., que vimos na edição anterior.

Depois eu fui para 3 títulos da série RealSports: Baseball, Football, e Volleyball. Eles são bem feitos, mas realmente não gostei de nenhum... Baseball e futebol americano são duas modalidades que não entendo como funciona, então eu não gostei por causa dos esportes em si, então eu não tenho uma opinião formada sobre se são boas adaptações ou não. Fui jogar o de vôlei com alguma expectativa, mas não deu porque o controle é extremamente frustrante, inibindo qualquer diversão. Os visuais são até bonitos, mas continua sendo uma nhaca... Então não rolou.

RealSports Volleyball é bonito, pena que o controle é frustrante.

Voltando aos shooters (suspiro longo...), Star Raiders é um jogo de tiro com naves mas com visão em primeira pessoa. Também não deu muito certo aqui, talvez eu esteja mal humorado, sei lá... Já em Submarine Commander você controla um submarino e deve atacar navios... Que negócio chato... Prefira jogar batalha naval no caderno, como você com certeza fazia nas aulas de matemática sobre polinômios. Vanguard é um shooter lateral com alguma coisa de Scramble, mas super lento... E minhas reticências e suspiros aumentam a cada linha desta edição... E depois cheguei ao Swordquest: Earthworld, que é uma espécie de Adventure, mas sem o menor sentido... Chega de reticências... ZzZzZz...

Star Raiders é nauseante.


Até que Yar's Revenge é simpático.
Ajudou meu humor depois de umas rodadas nessa edição...
E terminando esta edição em uma nota mais alegre, finalmente joguei o famoso Yar's Revenge, do qual os gringos tanto falam no YouTube. Cheguei a ele mal humorado e melhorei logo: é outro jogo de tiro, mas dessa vez totalmente acertado. É desafiador, divertido, diferentão... O problema é o som do jogo, e mais uma vez tive que jogar no mudo. Mas assim como Phoenix e os outros jogos de outras edições, me diverti muito. No final, valeu a pena seguir mais esse trecho da lista, pois Yar's Revenge e Phoenix justificaram a paciência que os outros jogos dessa edição pediram. Essa edição foi um tanto alarmante, porque de todos os jogos que conferi dessa vez apenas dois se salvaram! Espero que as próximas vezes melhorem o nível.

Destaques: Yar's Revenge, Phoenix.
Piores momentos: todos os RealSports, Raiders of the Lost Ark e Star Raiders.




Análise 47 - Mappy [Arcade]

Trazendo hoje mais um título de Arcade da década de 1980, venho falar sobre Mappy, que foi lançado para os arcades pela Namco em 1983. É um jogo de plataforma em tela fixa, a exemplo de Mario Bros. e Lode Runner. Confesso que não conhecia Mappy. Fui ter contato com ele pela primeira vez na excelente e frequentemente citada por aqui coletânea Namco 50th Anniversary do PS2. E falando nesse disco, eu o recomendo fortemente a qualquer pessoa remotamente interessada em videogames. É fantástico mesmo. Voltando ao jogo de hoje em si...


Mais um belo gabinete...


Mappy é simpático, mas está longe de ser fácil
Neste jogo controlamos um rato policial chamado Mappy que tem a missão de invadir uma casa lotada de gatos e recuperar objetos roubados por eles. E mais uma vez constatamos a criatividade e imaginação dos desenvolvedores de jogos dessa época, com este jogo sobre perseguições entre gato e rato. O ratinho da lei pode ser controlado por meio do direcional para a esquerda ou para a direita, podendo mexer com as portas da casa com um único botão de ação. E é com essa simplicidade toda que o jogo nos pressiona a improvisar, escapando dos gatos e recuperando os itens, como se dissesse somente "se vira, ratão". A casa tem 6 andares, e é possível acessar cada andar ao saltar em trampolins espalhados pela casa, apertando o botão direcional na hora certa enquanto estiver no ar para alcançar os outros níveis. Assim, o jogador pode controlar para qual andar cada salto de trampolim vai levar.



É preciso usar as portas estrategicamente

Mas há uma pegadinha: isto só pode ser feito ao saltar de baixo para cima, deixando uma certa estratégia ao jogo, pois o mesmo vale para os gatos que estão perseguindo o Mappy. É preciso evitar tocar nos gatos, pois assim o roedor perde uma vida. Importante lembrar que tocar neles no meio de um salto não tira uma vida. Os trampolins têm um limite de uso: se você ficar pulando várias vezes seguidas ele muda de cor até estourar e você cair em um buraco. Cada fase termina quando coletamos todos os itens do cenário, e se você demorar muito, o jogo vai literalmente te apressar com uma mensagem de "HURRY" e vão vir mais gatos para cima do coitado do rato. A cada 3 fases há uma fase bônus sem os gatos para que Mappy acumule pontos pegando balões pulando entre trampolins em um tempo limite. 

Mappy ajudou a popularizar o "Bonus Stage"
O visual do jogo é bastante colorido e simpático, imitando os modos de um desenho animado. Os sons e as musiquinhas do jogo são alegres e em tom maior, como se fosse mesmo um desneho animado infantil. Mas lhes asseguro que esse jogo não é muito infantil, pois fica desafiante e complicado super rápido, levando aos limites os reflexos de quem joga, assim como os bons jogos de fliperama dessa época.
Os controles são simples ao extremo, mas dominar a dinâmica do jogo vai dar trabalho.

Os controles são responsivos e é difícil parar de jogar. Mappy é um jogo extremamente simpático, com aquela coisa de gato e rato como nos desenhos de Tom e Jerry. Aqui vale a boa e velha máxima: é simples de jogar, mas difícil de dominar por completo. Não está no nível de outros clássicos como Lode Runner ou Ms Pac-man, mas vale a pena conhecer!



domingo, 5 de fevereiro de 2017

Jornada Atari 2600 Edição 07: Começa 1982!

Dispensa apresentações
Antes de começar esta sétima edição da Jornada Atari 2600 que segue firme e forte, preciso confessar que comi bola em relação à última edição. Eu disse que havia jogado todos os jogos de 1981 para o sistema, mas faltou um jogo: Freeway da Activision. Vou falar sobre ele logo mais. E agora, seguindo em frente, entramos no ano de 1982, provavelmente o auge do Atari 2600. Pelo que estudei da lista de jogos lançados para o Atari, provavelmente vamos demorar umas boas postagens para cobrir todo o ano de 1982 no console. Mas não temos pressa e o objetivo é pura e simplesmente se divertir conhecendo velharias mais velhas que eu. Como eu já disse mais de uma vez, não tenho a intenção de transmitir a nostalgia de uma época que não vivi, mas sim gostaria de registrar a experiência e descoberta de quem não estava por perto quando tudo isto ocorreu no videogames. Enfim, vamos continuar com a Jornada. Coloque uma banda de 1982 para tocar e vamos lá. Esses jogos foram embalados ao som do álbum Creatures of the Night do Kiss...


Freeway é frenético
O último de 1981 foi Freeway, da Activision, é uma variação do Frogger, no qual temos de ajudar frangos a atravessarem a rua. Só podemos ir em frente ou voltar. É um jogo para partidas em dois competindo pelo maior número de frangos atravessados. Jogo terrivelmente desafiador mas dificuldades mais altas, bastante divertido. Depois de uns frangos atropelados, fui de fato começar os jogos lançados em 1982. Comecei pelo Atari Video Cube, que é uma tentativa de reproduzir aqueles "cubos mágicos". Assim como forca e dama, é melhor jogar no formato original, com o cubinho mesmo - que encontramos em qualquer lojinha de 1,99 ou aquelas Xing-Lings da vida...





Depois parti para Berzerk e aí a coisa ficou SÉRIA. Berzerk é um famoso jogo de tiro com visão aérea, estilo Robotron 2084, porém não tão frenético. Os controles são simples: o direcional movimenta o personagem e direciona os tiros disparados pelo botão de ação. As paredes são elétricas aparentemente e em uma voltagem letal. Devemos evitá-las e trocar tiros com os robôs no cenário, e o posicionamento do personagem é fundamental para evitar o fogo inimigo e revidar. Ao vencer os inimigos, avançamos por várias salas, lembrando de forma rudimentar o Legend of Zelda que só sairia anos mais tarde... Em alguns cenários aparece um smiley psicótico invencível (!!!!) do qual temos de fugir. O jogo tem um bom desafio e uma dificuldade ajustável. Os controles são ótimos, adorei esse jogo.
Berzerk é impressionante.



Quadrados e mais quadrados de pura ação
Como se não bastasse o fantástico jogo que foi Berzerk, cheguei a Centipede, que é tão bom quanto o original de arcade, apesar de ter visuais ainda mais rudimentares. Mas este é aquele jogo no qual o que importa mesmo são os tiros e a diversão. Recomendadíssimo... A jornada continuou a me empolgar, e mal eu podia esperar para jogar a versão de Defender. Achei divertida, porém morna. Os gráficos ficam piscando muito e é difícil enxergar os humanos a salvar. Dá para brincar um pouco com esta versão, mas nem chega aos pés da original.






Mesmo com perdas, Defender continua competente.



Muito cuidado com o logo da Enix...
Mas, como aprendi a esperar de uma jornada dessas, depois destes bons jogos, o nível votou a cair. Crazy Climber é mais uma bizarrice simpática do Atari 2600. Nele, temos de escalar um prédio evitando obstáculos. O inimigo é o smiley psicótico invencível do Berzerk que arremessa pela janela o logo da Enix na direção do jogador... Duvida? Veja a foto ao lado e confirme!







Na foto parece até aceitável, mas espere jogar...


Haunted House é uma espécie de Adventure no escuro, onde vemos apenas os olhos do personagem, devendo evitar morcegos e fantasmas, entre outras criaturas. A tela muda de cor quando chegamos em alguns pontos. Mas não saquei o objetivo. Alguém saberia dizer qual é a de Haunted House?

Famoso por ser citado como símbolo do infame Crash
dos videogames em 1983. É um jogo ruim, mas acho
injusta a imagem que foi criada pela mídia de que E.T.
tenha sido determinante para isso...
É apenas um jogo sem diversão, nada mais.
Sempre li e ouvi que Pac-Man para Atari 2600 era uma decepção, uma bomba. Fui jogar de mente aberta, disposto a fazer vistas grossas para eventuais bugs, mas o que fizeram aqui foi demais. Explico o porquê. Não bastava fazerem gráficos feios até para o Atari, os controles do Pac-man ficaram escorregadios, dificultando muito aquela precisão que o original exige. E para agravar os problemas com esse título, os fantasmas agem como fantasmas mesmo: eles atravessam paredes, cercam a bolota amarela sem possibilidade de fuga, sendo quase impossível ir muito longe. As cores e o modo como as piscadas se comportam dificultam muito atacar os fantasmas, enfim... Esses ingredientes, principalmente o over power que deram nesses fantasmas, tiraram a diversão de Pac-man. Uma pena. Já o E.T. the Extra-Terrestrial merece toda a má fama que adquiriu e um pouco mais... Por fim, Demons to Diamonds é um shooter esquisitão e nada divertido.


Demons to Diamonds tem umas ideias até interessantes, mas não é divertido.

Nessa remessa de jogos me surpreendi com Berzerk e Centipede, e pude confirmar a fama de Pac-man e E.T. Continuamos a próxima edição com mais jogos de 1982 para este sistema clássico e peculiar, para dizer o mínimo, que é o Atari 2600.

Destaques: Berzerk, Centipede.
Piores momentos:  Pac-man, E.T.




sábado, 4 de fevereiro de 2017

Análise 46 - Ms Pac-man [Arcade]




Ms. Pac-Man é um ícone da Era de Ouro dos Arcades e Fliperamas. Essa "sequência" foi produzida pela Bally/Midway, que por sua vez havia lançado o Pac-man original na América do Norte em 1980. A popularidade e sucesso de Ms. Pac-man foram tão estrondosos que levaram a Namco a "adotar" este jogo como um titulo oficial de Pac-man, o que este jogo inicialmente não era. Ms. Pac-Man foi lançado na América do Norte em Julho de 1981, e se tornou o arcade de maior sucesso produzido nos EUA. Ms Pac-Man nos apresenta a uma personagem feminina, novos labirintos e várias melhorias em relação ao Pac-man original. A premissa do jogo é a mesma que o Pac-man clássico: controlar Ms. Pac-Man por uma labirinto e acumular pontos comendo pastilhas e evitando os fantasmas, que tiram uma vida ao alcançarem a amarelinha. 







Assim como no primeiro jogo, comer uma pastilha maior faz com que os fantasmas fiquem azuis e podem ser devorados se forem alcançados a tempo. Até aqui nenhuma diferença, mas é aqui que Ms Pac-man dá uma aula sobre como fazer uma excelente sequência: apesar de os fundamentos do jogo não terem mudado, a ação ocorre em uma velocidade consideravelmente maior, deixando as jogadas mais dinâmicas  (e fazendo os jogadores gastarem ainda mais fichas). Além disso podem ser comidas frutas s bônus, que aumentam a pontuação. Conforme avançam os níveis, as pastilhas de poder diminuem progressivamente o tempo em que os fantasmas ficam vulneráveis. 










Visualmente o jogo é bem parecido com o antecessor, mas uma importante novidade está presente: as paredes dos labirintos são de cores sólidas, e não mais apenas um contorno, facilitando assim que um jogador novato reconheça a diferença entre o próprio labirinto e as paredes. Além disso, os labirintos variam de cor. Todas essas sutilezas se juntam com as inovações da jogabilidade para deixar o estilo de Pac-man ainda mais frenético e acessível.

 

Por isto, vou resumir toda esta análise da seguinte forma: Ms Pac-man é nada mais que um Pac-man melhorado. Simples assim. Ms Pac-man é pura diversão para qualquer idade e estilo de jogador. Foi lançado para quase todas as plataformas existentes, então é bem acessível para jogar. Mas vou confessar a quem estiver lendo que meu sonho mesmo é pelo menos conhecer a máquina original desta maravilha. Quem sabe um dia? 




sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Jornada Atari 2600 Edição 06: Activision entra no jogo

Voltando com mais uma edição desta infame e árdua, mas divertida jornada. O mês de janeiro foi produtivo no blog, principalmente nesta nova coluna, com a qual estou muito animado. É difícil jogar todos os títulos de um sistema, mas por outro lado, acabamos por conhecer algumas pérolas escondidas que nem suspeitávamos existir... Então eu começo esta edição empolgado para ver o que mais o velho console lançava aos felizardos que o conheceram no lançamento. Após jogar boa parte dos jogos de Atari 2600 do ano 1980, sobraram ainda alguns poucos jogos desse ano, sendo que alguns deles são da gigante Activision, super famosa por grandes clássicos da época (River Raid, River Raid...). Por isso acho que vem coisa boa por aí. 

Bem antes de Punch-Out! o Atari já arrebentava no boxe.
E logo que continuei a jogar, dei de cara com uma maravilha da Activision: Boxing. Jogo de boxe extremamente divertido e frenético que tem opção para até dois jogadores tirando um contra, envolve muita estratégia e reflexos, captura muito bem o boxe. Jogo surpreendente. Depois fui jogar Fishing Derby, mais um petardo da Activision, desta vez sobre pesca. Dois pescadores competem para a maior pontuação, mas há um tubarão na água para atrapalhar. Extremamente divertido ao mesmo tempo em que é relaxante, tem um efeito de movimento da água surpreendente para o Atari 2600. Aliás, parece que os jogos da Activision desafiavam muito os limites do Atari...







O efeito da água em movimento chama a atenção em
Fishing Derby, e ainda por cima o jogo é muito bom.


Depois joguei Skiing e fiquei neutro com relação a ele. Um jogo de Ski descendo a montanha, mas sem muita emoção, e é meio lento. Agora, recapitulando a Activision nesta edição: dois jogos excelentes, um mais ou menos, e agora a bomba: Dragster. É um jogo de corrida na modalidade de arrancadas, no qual corremos uma retona trocando as marchas e com cuidado para não fundir o motor. O jogo é bonito, mas é facílimo fritar o carro e é curto demais, além do que essa modalidade de corrida não poderia nunca dar um jogo divertido. Seguindo em frente...
Apesar de visualmente inferior ao original,
esta ainda é uma boa versão de Asteroids.


...Entrando no ano de 1981! O primeiro jogo deste ano foi Asteroids, que é uma adaptação super competente do original de arcade que já analisei aqui no blog há muito tempo... Ao invés do visual vetorial extremamente charmoso do arcade, o jogo foi adaptado para o estilo em pixels, deixando-o ainda mais rudimentar. Uma pena porque os controles e os sons foram muito bem adaptados ao Atari 2600. Mesmo assim, continua sendo um jogo muito divertido, só não foi aquela obra prima dos fliperamas, infelizmente.

Missile Command é fácil de jogar mas difícil de largar

Missile Command é mais um jogo de tiro mais ou menos na veia de Space Invaders, porém com características únicas: você precisa defender uma série de cidades de ataques com mísseis nucleares, e para isso deve mirar suas bombas nos projéteis antes que atinjam a terra. A dificuldade é progressiva e o jogo é extremamente envolvente, mais uma excelente adaptação de jogo dos arcades para o velho Atari. Me diverti muito com esse jogo e sua dificuldade cabulosa.

Continuando, cheguei a Stellar Track, que me surpreendeu por buscar algo diferente do estilo arcade: nele, temos uma aventura em texto na qual fazemos escolhas para comandar uma tripulação de uma nave espacial por missões à-la Jornada nas Estrelas. Sim senhores, um adventure em texto para Atari 2600 em pleno ano de 1981. Quem diria, não? O jogo é até interessante, mas exige paciência, e como não tive acesso a um manual, vou deixar para me aprofundar neste aqui em outro momento. Mesmo assim, uma boa surpresa.



Voltando aos esportes, Ice Hockey é mais um jogo da Activision, em uma partida de Hockey dois contra dois, extremamente divertido de se jogar. Dá até para dar umas cacetadas no adversário, excelente jogo de esportes. Depois fui parar em Tennis, que é um excelente simulador do esporte, da Activision também. Kaboom! é - surpresa... - mais um jogo excelente da Activision. Nele, precisamos evitar que as bombas de um presidiário fugitivo caiam no chão. Veloz e furioso como os jogos do Atari 2600 devem ser!








Laser Blast é um jogo de tiro mais ou menos estilo Defender, no qual você controla um disco voador ou algo do tipo e deve avançar pelas telas destruindo canhões antes de ser explodido. Muito simpático este aqui. Depois de uma sequência de ótimos clássicos da época, finalmente achei um jogo chato: Skeet Shoot. Passem longe deste aqui.

Space Chase em movimento impressiona.
O nível dos jogos continuou lá em cima quando comecei a jogar Space Chase. Abri o jogo achando que seria um shooter genérico, quando me deparei com um shooter vertical estilo Galaga, mas com scrool vertical e um efeito de rolagem que faz parecer que estamos na órbita de um planeta. Um efeito semelhante - guardadas proporções - ao Axelay de Super NES, o que me impressionou. O jogo é rápido e super divertido. Quem diria?








Stampede da Activision foi o próximo que comecei após todo o esforço para largar o Space Chase. Um enredo um tanto inusitado para não dizer bizarro: você controla um boiadeiro que deve recuperar o gado após uma debandada usando corda e laço. Mais surpreendente ainda: é divertido! Estou impressionado em como os caras antigamente criavam jogos pitorescos, para dizer o mínimo...
Stampede é uma pérola esquecida entre os jogos do Atari 2600

Depois de tantos jogos sensacionais, e alguns no mínimo peculiares, eu termino este trecho da Jornada Atari 2600 sentindo um enorme respeito por este console e suas propostas de jogo divertidas e fiéis aos arcades. Me sinto privilegiado por poder jogar todos esses títulos, e depois que comecei a usar o Stella e seus efeitos de Scanlines... Tudo melhorou muito. Fato é que tem bastante bobagem no Atari 2600, mas os grandes jogos mais do que compensam por isto, e nesses últimos dias o que não faltaram foram excelentes jogos do Atari 2600. Lembra no começo desta edição quando comentei que a jornada era árdua? Dessa vez foi simplesmente sensacional e estou ansioso para conhecer melhor a biblioteca deste grande console. Terminei de jogar todos os jogos lançados em 1981 e na próxima edição vou começar a jogar uma extensa lista de jogos de 1982.

Destaques: Boxing, Fishing Derby, Asteroids, Stampede, Space Chase, Stellar Track, Ice Hockey, Tennis, Kaboom!, Missile Command.
Piores momentos: Skeet Shoot, Dragster.



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Análise 45 - Dig Dug [Arcade]

 
Foi só depois de adulto, após começar a me interessar por jogos anteriores ao ano em que nasci - 1990 - , que fui conhecer Dig Dug. Parte da coletânea Namco 50th Anniversary para PS2, foi neste formato e pelo MAME que pude jogar este jogo tão aclamado mas que após a década de 1990 caiu no esquecimento. Nestas minhas análises sobre jogos mais antigos não é possível expressar a nostalgia de quem viveu naquela época - porque não vivi - mas ao invés disso eu pretendo falar sobre o senso de descoberta e surpresa que venho tendo a cada vez que jogo um desses títulos dos tempos da Guerra Fria. E Dig Dug foi um dos jogos que mais me causou surpresa e diversão desde que me atrevi a escrever sobre jogos que não foram de minha juventude.


Uma cabine de Dig Dug em ação

Em 1982 Dig Dug era lançado para os fliperamas com o mesmo hardware de Galaga (1981) pela Namco no Japão e pela Atari no ocidente. Logo ao perceber a origem do hardware, é de se esperar que esse jogo tenha gráficos incríveis para a época, o que é verdade. Desde seu lançamento, este título se tornou uma das máquinas mais populares de arcade da história. Mas é um bom jogo?





FINISH HIM!
Trata-se de um jogo em 2D com tela fixa, na qual escavamos pelo subterrâneo com o objetivo de eliminar todos os inimigos da tela. Controlamos o personagem Dig Dug (o qual vou chamar de Dig para não ficar me repetindo muito), que é um sujeito uniformizado munido de uma bomba de ar que serve como arma: é preciso inflar os inimigos até que eles estourem. Apesar de ter um visual por assim dizer "fofo", Dig Dug provavelmente inaugurou uma finalização cruel parecida com os Fatalities, que surgiram em Mortal Kombat. O direcional conduz Dig pelo subterrâneo, enquanto o botão de ação aciona a bomba de ar. Uma única bombeada paralisa os bichinhos, permitindo ao jogador passar por eles, enquanto várias bombeadas os explodem.










É possível usar essas habilidades de acordo com o terreno, paralisando vários deles, enquanto abre um caminho para atraí-los até as pedras caindo e assim ganhar vários pontos de uma vez, ou dar uma de Rambo e ir matando um por um manualmente. A natureza aberta de Dig Dug gera imprevisibilidade, e é preciso dominar as mecânicas do jogo para avançar. Isto acrescenta elementos leves de puzzle, que tornam as caçadas ainda mais divertidas e variadas. Perdemos uma vida ao tocar em um dos bichos ou se um deles fugir da tela, então os fatalities precisam ser rápidos...


Os sons são completamente adoráveis e à frente de sua época; a música toca enquanto o personagem se move e fica muda quando ele pára, gerando um ritmo muito interessante para o jogo. Os controles são responsivos e assim como Galaga, Dig Dug parece um jogo de Master System ou Nintendinho. Levando em conta que esse arcade é de 1982, é realmente impressionante vê-lo em ação, e ainda mais jogá-lo.

Dig Dug é um jogo que não envelhece e diverte absurdamente. Me diverti muito mais com Dig Dug do que com Pac-man, por exemplo, e é difícil parar de jogar. Recomendo a qualquer perfil de jogador conhecer alguma versão de Dig Dug, que foi portado para múltiplos consoles, além de suas sequências. Dig Dug talvez não seja tão intensamente lembrado, e apesar de não ser tão levado em conta pelo aspecto histórico, é uma obra prima dos videogames.