quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Back to the Nineties

Aqui estou começando uma nova coluna no blog. Os textos daqui têm por objetivo relembrar jogos e momentos dos anos 90 que eu vivi na minha infância. Os jogos serão em sua maioria voltados para a própria década de 90, com uma ou outra coisa anterior a isto que eu tenha jogado na época. O objetivo destes posts é relembrar mesmo, levando em conta o impacto que esses jogos tiveram sobre mim naquela época. O tom desses textos tende a ser mais descontraído e não há nenhuma periodicidade prevista para essas postagens. Vou postando conforme der vontade mesmo, sempre que rolar aquela vontade de revisitar essa década tão incrível. 


quarta-feira, 26 de julho de 2017

Jornada Atari 2600 Edição 30: Epílogo

Foi um longo caminho desde a primeira edição da Jornada Atari 2600 que começou no início deste ano. Quando publiquei pela primeira vez nesta coluna eu sinceramente não sabia o que esperar destes textos por receio de os jogos de Atari 2600 serem pouco divertidos ou desinteressantes, fazendo com que eu parasse pelo caminho eventualmente. O que aconteceu foi precisamente o contrário, porque mesmo que sabidamente houvessem muitos jogos fracos dessa época, a cada edição eu me surpreendia com algum clássico que eu não havia jogado ainda, isso sem falar nos jogos desconhecidos ou pouco lembrados que se revelaram bons momentos. Fazer uma série de posts jogando todos os jogos do catálogo de um console é algo que demanda tempo e uma boa dose de esforço. Eu, pelo menos, senti uma enorme vontade de parar no meio. Não porque não haviam bons jogos, mas porque vira-e-mexe eu sentia vontade de jogar outras coisas. E como meu tempo livre é bem diminuto, optei por focar mais aprofundadamente no objetivo principal da Jornada Atari 2600 no primeiro semestre deste ano.
 
Boa parte dos jogos eu joguei por menos tempo, fato este favorecido pelo fato de que o design dos jogos era na maior parte baseado em partidas simples estilo arcade. Isso traz uma grande virtude característica do Atari: para se divertir é só pegar e jogar. Diversão irrestrita e sem burocracias, sem distrações. Jogar Atari 2600 é uma verdadeira celebração do que é jogar videogames em sua essência. Pensando por essa óptica, concluimos que muitos avanços nos videogames podem ter muito mais servido para nos distrair da diversão em si. Não estou criticando outras plataformas nem as jogatinas modernas, mas jogar tanta coisa do Atari me fez refletir sobre o que é de fato de divertir com um videogame.

O Atari 2600 não foi o primeiro console de videogame caseiro, mas com certeza foi o aparelho que definiu toda uma estrutura, que apesar de ter mudado em vários sentidos, na verdade continua a mesma em seu cerne. Se um dia tivemos acesso a nintendinhos,  mega drives, master systems e super nintendos... se hoje temos acesso a playstations, wiis e xboxes da vida, é por causa do Atari 2600 que popularizou ao máximo o conceito de um videogame que troca de fitas, novidade esta que os aparelhos de fita anteriormente trouxeram à música e aos filmes. O Atari 2600 é o VHS dos videogames. Foi o aparelho que desbravou o terreno desconhecido do videogame doméstico, levando a diversão do arcade para casa. Logo, foi o console que começou tudo.

Foi um privilégio poder desbravar o catálogo do Atari clássico por meio dos emuladores e escrever aqui foi uma experiência reveladora e prazerosa, sendo esta minha humilde homenagem aos 40 anos desde o primeiro lançamento do Atari 2600. Mas embora esta seja a última edição que escrevo da Jornada Atari 2600, vou revisitar esses jogos com calma, priorizando os destaques de cada edição. Jogando esses títulos como devem ser jogados, curtindo sem pressa e sempre voltando para uma maior pontuação. A todos que acompanharam esta coluna, o meu muito obrigado! E aqui terminamos os textos da Jornada Atari 2600, mas não a jogatina. Não é o fim da Jornada: ela está apenas começando.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Jornada Atari 2600 Edição 29: Depois de 1990... Como fica o Velho Atari?

Na edição de hoje da Jornada Atari 2600 vou falar sobre os jogos lançados de 1990 para frente. Foi um longo caminho, mas aqui estamos, seguindo para o ano de 1990.

Começamos com Ghostbusters II, que é completamente diferente do primeiro: aqui o jogo não tem um estilo muito bem definido, sendo melhor explicado como algo parecido com aqueles trechos de rapel do Battletoads de NES. Os controles são bem ruins e duros, é além disso os gráficos são bem inferiores ao original de 1985. My Golf é uma representação absurdamente monótona de uma modalidade esportiva que considero bastante burocrática... Não recomendado. As coisas não melhoraram com Pick 'n Pile, puzzle de combinações extremamente básico que caberia muito bem no final da década de 1970 no Atari. Eu pessoalmente não gostei deste aqui não... Partimos então para um soco no estômago de quem curte Enduro, chegamos a Fatal Run, jogo de corrida que lembra bastante o clássico da Activision, com visuais muito bem feitos e ótima sensação de profundidade e velocidade. O problema é o controle, que usa o direcional para cima com a função de acelerar. Me surpreendi como esse "detalhe" conseguiu sugar toda a diversão do título.


A safra melhorou muito com Klax. Mais um famoso jogo de arcade que eu não havia jogado ainda, portanto não sei dizer se a versão de Atari 2600 é fiel ao original. Fato é que trata-se de um jogo muito divertido: é um puzzle no qual controlamos uma barra móvel parecida com Breakout, com a qual conduzimos blocos coloridos para formar pilhas de cores semelhantes. A cada três blocos combinados temos um Klax.  Cada fase pede um número de Klax a serem formados, e a dificuldade logo fica desafiante. Um puzzle diferentão e envolvente, foi uma grata surpresa. Se a versão de 2600 é legal assim, fico imaginando a versão de Arcade... Depois de Klax, o nível dos jogos caiu muito, então vou buscar ser objetivo com os próximos. MotoRodeo é um jogo de corrida com visão lateral lembrando ExciteBike mas completamente quebrado. Sentinel surpreende por ser um jogo de light gun, no qual precisamos da arminha. Portanto, não consegui emular a experiência original do jogo, por isso vou dar a ele o benefício da dúvida e não emitir uma opinião. Xenophobe é um shooter lateral estilo Rolling Thunder, mas realmente esse tipo de jogo não rola no Atari 2600. É quase injogável.

Depois de 1990, o Atari 2600 passaria por um hiato em 91, retomando em 1992 com um único jogo: Acid Drop. Mais um puzzle de combinações à-la Tetris, aqui é preciso combinar peças de três partes com suas respectivas cores. Como regra desse tipo de jogo, é até divertido mas passa longe da qualidade de um Tetris ou Columns da vida. Mesmo assim é um bom passatempo. Por muitos anos este seria o último jogo de Atari 2600.


Na falta de um Tetris, Acid Drop se sai muito bem no Atari.

Pick Up é polêmico, mas divertido.
Em plena geração 128 bits com os GameCubes, Dreamcasts, Xboxes e PlayStations da vida, de forma inesperada temos um outro lançamento para este console. Pick Up é  um jogo no mínimo engenhoso. Ele tem uma estrutura semelhante a jogos de tiro, porém ao invés de destruir inimigos, atiramos em objetos variados que não primeira vez que são atingidos são adicionados a uma lista, e se atingidos novamente são removidos. O objetivo é completar a lista em cada fase, e isto fica difícil muito rápido devido ao ritmo de movimento desses objetos. Ele teve um lançamento tardio porque o desenvolvedor na época parece ter entendido que o jogo era ofensivo, porque a cada fase vencida o personagem podia levar uma garota a um hotel. Escandaloso, não? O jogo parece raso mas é estranhamente envolvente, portanto divertido.

Juno First fecha os lançamentos de Atari 2600 com chave de ouro.

Anos mais tarde em 2008, foi lançado o jogo Actionauts, o qual não joguei por não ter conseguido encontrar a rom na internet. Todavia, consegui jogar o último jogo lançado para o Atari 2600 até hoje (segundo a lista que segui desde o início da Jornada). Lançado em 2010, Juno First é uma adaptação do arcade Juno First da Konami  (de 1983) e foi lançado pelo notório grupo Atari Age - provavelmente a melhor fonte de tudo que é relacionado a Atari na internet. Também não joguei o original mas essa versão e Atari 2600 é fenomenal. Imaginem Beam Rider da Activision, mas absurdamente melhorado em todos os aspectos e temos Juno First, um dos melhores jogos do Atari 2600 lançado em pleno 2010 no auge da geração 360/PS3/Wii. E aqui terminamos todos os jogos já lançados para o Atari 2600 até os dias de hoje (pelo menos segundo a lista que segui desde a primeira edição), finalizando uma Jornada Épica... A Jornada Atari 2600. Mas acabou?

Destaques: Klax, Acid Drop, Juno First.
Piores momentos: Ghostbusters II, Fatal Run, Xenophobe.



domingo, 9 de julho de 2017

Jornada Atari 2600 Edição 28: Termina a Década de 1980

Começando mais uma edição da Jornada Atari 2600, chegamos ao ano de 1989 com os lançamentos deste console clássico. Chega a ser impressionante a longevidade do Atari 2600... Em 1989, pleno ano de lançamento do Mega Drive (Genesis nos EUA) um console lançado em 1977 (e no Brasil em 83) receber novos títulos é algo surpreendente de fato.

Começamos com o pé esquerdo com BMX Airmaster, jogo de bicicletas BMX, mas muito sem graça... Não consegui jogar muito. Eu queria mesmo era jogar o ultra famoso Double Dragon, que eu ainda não cheguei a jogar até hoje. Não demorou para eu concluir que minha primeira vez com Double Dragon não me caiu bem... Os controles são travados e o personagem apanhou muito. Eu dei uma insistida, mas tanto game over ficou cansativo. Fica minha expectativa de jogar o original, porque o de Atari não foi nada legal... Passei brevemente por Night Stalker, que lembra muito Pac-man, mas sem pastilhas a coletar, com a possibilidade de atirar em inimigos. A movimentação não é muito boa e eu sinceramente não gostei deste jogo. Passei um tempo a mais com outro clássico de arcade trazido ao Atari: Rampage é uma versão super capada do original, me parece que forçaram a barra ao tentar fazer esse jogo rodar no Atari. Ficou feio e totalmente bugado, nada divertido, diferente do original que é ótimo. Esses primeiros jogos da edição mostram que nem tudo era flores para o longevo videogame. Apesar de lançamentos fora de sua época, a qualidade começou a sofrer um pouco mais.

Seguindo com a lista, Double Dunk é um jogo de basquete 2 contra 2, que tem controles terríveis... Incrivelmente o Basketball, que joguei lá no início da Jornada, é bem superior. E olha que Basketball saiu em 1978. Resumindo, DD é frustrante, não recomendado. Chegou depois a vez de Ikari Warriors, que já citei em outras edições para explicar o funcionamento de alguns jogos de tiro do Atari, e eis que chegou o momento de conhecer a versão desse título para o 2600. E foi com curiosidade e uma certa empolgação que fui conhecer este famoso jogo. Assim como o original, é um jogo de tiro aéreo no qual controlamos um personagem estilo Rambo, podendo atirar apenas um tiro por vez, podendo eventualmente usar um tanque de guerra. O jogo diverte, mas tem uma movimentação lenta e é absurdamente difícil. Realmente, Ikari Warriors parece demais para o Atari 2600, e a diversão fica bem comprometida com os problemas de performance.


Passei então para Off the Wall, que é um interessante clone de Breakout, mas é bem difícil devido à velocidade excessiva da bolinha. Mesmo assim, vale a pena conferir. Radar Lock é um shooter bastante parecido com o jogo Solaris de 1986 também para Atari. Bons controles, mas que para ser completamente apreciado precisa de dois controles para ser jogado adequadamente, pois ele precisa de um botão a mais para usar armar secundárias. No emulador não é um problema, mas as questões com o jogo não param aqui: a monotonia do cenário inibe a diversão e enjoa muito rápido.

Road Runner é interessante: controlamos o papa-léguas com o objetivo de fugir do coiote. Os controles funcionam bem e o visual é excelente. Eu perdi várias vezes de propósito para testemunhar o coiote finalmente capturando o papa-léguas. Só isso já vale o jogo.

Jogo feito para quem sempre quis ver o coiote pegar o papa-léguas

E quando eu achava que pouca coisa se salvava no Atari 2600 neste ano de 1989, fui surpreendido no final da lista da edição por Secret Quest. É a grande surpresa da edição e uma das grandes surpresas da Jornada Atari 2600 desde o seu início, sendo facilmente um dos melhores jogos de Atari que eu pude jogar. Este título é simplesmente uma espécie de resposta do Atari 2600 a Legend of Zelda do NES. E para minha total surpresa, o jogo funciona maravilhosamente bem no Atari. Aqui controlamos uma espécie de astronauta por estações espaciais, devendo enfrentar inimigos alienígenas com algo parecido com um sabre de luz em cenários labirínticos, tomando o cuidado de administrar bem a energia e o oxigênio, sendo que cada setor deve ser destruído e ao final fugimos do local antes que o tempo acabe, no melhor estilo Metroid. Tem até uma (simples) trilha sonora no jogo. Eu me surpreendi várias vezes com o Atari 2600 como vocês devem ter percebido em outras edições, mas Secret Quest conseguiu me surpreender mais ainda, e justamente em um momento que os jogos do 2600 vinham ficando mais mornos. Bem no ano de lançamento do Mega Drive/Genesis nos EUA, o Atari 2600 simplesmente mostrou que poderia rodar algo que lembrasse Zelda guardadas as proporções. Excelente jogo que pretendo futuramente jogar com a calma que ele merece...  

Sim, você já viu cena parecida em algum lugar...

E assim, depois de vários momentos sem diversão e com uma grande surpresa no final, cobrimos todos os jogos de Atari 2600 de 1989, fechando a década de 1980 depois de muitas edições. É o fim dos anos 80 para o Atari, mas a Jornada continua. Na próxima edição vamos ver sobre os jogos lançados após 1990 para este console, que simplesmente não pára.

Destaque: Secret Quest.
Piores momentos: BMX Air Master, Double Dragon, Rampage, Double Dunk.


sábado, 8 de julho de 2017

Análise 66: Pac-Land [Arcade]



Desde que escrevi sobre o side scrolling 2D aqui no blog lá pelo início de 2015, tenho tido a vontade de escrever sobre Pac-Land e me aprofundar neste título tão pouco lembrado. Demorou "apenas" cerca de 2 anos, mas aqui estão minhas reflexões sobre este peculiar jogo do Pac-man que não aparece nas coletâneas que a Namco vem lançando para todas as plataformas há décadas. Lançado em 1984 para os fliperamas, trata-se de um jogo de plataforma com side scrolling lateral e parallax (técnica visual em que elementos de diferentes profundidades do cenário se movem a velocidades diferentes gerando uma sensação de imersão maior no jogo). Assim, diferentemente de Pitfall, por exemplo, a ação flui pelo cenário ao invés de trocar telas como se fossem slides, como era uso na época.

O efeito de side scrolling é incrivelmente fluido e os visuais são coloridos e muito bem animados, como se estivéssemos assistindo um desenho animado. O jogo é dividido em "viagens", que são conjuntos de fases nas quais Pac-Man precisa carregar uma fada até o final de cada cenário, progredindo da esquerda para a direita. Na última fase de cada viagem, Pac-Man recebe botas especiais que permitem que ele salte várias vezes no ar, e ao final de cada viagem ele é recebido em casa pela Ms. Pac-Man e Pac-Man Jr. 
Aqui há poucos sinais do estilo de jogo em labirinto que consagrou o amarelão: controlamos a direção entre esquerda e direita com os botões direcionais e o salto com o botão de pulo. E não adianta fazer como eu achando que o Pac-Man é o Mario de SMB: pular nos inimigos não os derrota, é preciso evitá-los como se fazia desde 1980 no primeiro come-come de fliperama. Pelo caminho é possível coletar frutas para pontos e as cápsulas maiores, assim como nos outros jogos, deixam o personagem invencível por uns poucos segundos e os fantasmas ficam azuis e fujões. Assim, basta ir atrás deles e tocar neles, como no fliperama, acumulando pontos e os derrotando.








Apesar da mudança de estrutura do jogo, as
cápsulas de poder ainda têm a mesma função.

Achei impressionante como esse jogo apresenta o estilo plataforma 2D com progressão lateral ainda antes do Super Mario Bros. de NES, e com gráficos mais detalhados e avançados. Infelizmente a música é bem repetitiva e não marcante, enjoando rapidamente. O jogo também pode ser completado em questão de minutos depois que nos habituamos com os controles e o tempo de cada inimigo. E vou além na sinceridade: este jogo não é divertido. Pelo menos eu não gostei muito, e tenho a opinião de que Pac-Man bom é no formato original mesmo. Pelo menos nos jogos do come-come que joguei até aqui, claro... Lembrando que ainda não joguei os mais modernos. 

Os detalhes gráficos impressionam

O valor de Pac-Land em minha opinião reside nas inovações tecnológicas que trouxe, ajudando a definir uma série de nuances que se tornariam padrão nos jogos 2D, como o gênero plataforma e o side scrolling, que é muito bem feito e fluido nesse jogo. A jogabilidade não marca o jogador e não diverte tanto como outros jogos de plataforma dessa época, como por exemplo Super Mario Bros. e Pitfall, apenas para citar alguns. Não é um grande jogo e isto é deixado claro pela própria Namco em não incluí-lo em seus relançamentos e remasterizações. Pessoalmente, eu o achei bem morno e pouco divertido. Todavia, pode ser considerado um jogo importante pelas inovações que trouxe e eventualmente se tornariam um padrão nos videogames nas gerações 8 e 16 bits.


 

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Jornada Atari 2600 Edição 27: Ultrapassando os Limites do Atari

Na edição de hoje, falo sobre os jogos lançados em 1988 para o Atari 2600 que pude jogar recentemente. Começamos bem a edição com Commando, que é um jogo de tiro a pé, daqueles Run n' Gun, estilo Contra, mas com uma visão aérea semelhante a Ikari Warriors da SNK. O controle do jogo é muito bom e o foco é o posicionamento do personagem, exigindo bastante tentativa e erro além de uma certa estratégia para acertar os tiros e desviar do fogo inimigo. Bom jogo, surpreendente no Atari 2600. Pete Rose Baseball é um simulador de baseball com gráficos surpreendentes, mas como jáfalei em outras oportunidades, eu ainda desconheço a dinâmica do baseball, e ainda não pude tirar um tempo para aprender. De certo que um dia eventualmente vou dar uma pesquisada nas regras desse esporte, assim como o futebol americano, que também não conheço. Portanto, eu não posso opinar se o esporte fcou bem representado, fato é que o jogo parece ser muito bem feito.



Daqui passei para River Raid II, jogo que gerou muita expectativa para mim e de certa forma me frustrou um pouco. Aqui a estrutura do original foi bastante modificada, pois agora, além do combustível é preciso gerir velocidade e altura do avião. O jogo é bem feito como seu antecessor mas os controles são meio inacessíveis a princípio, e até pegar as manhas eu explodi muito. Essa dificuldade no início do jogo faz com que falte aquele fator divertido do primeiro jogo. Não há a diversão imediata, mas um pouco de persistência para aprender os controles e pegar o ritmo do jogo revela um bom momento. Ou seja, é um bom jogo, mas nem de longe aquela obra prima que foi o primeiro River Raid. Mantendo o estilo shooter, Sea Hawk tem uma progressão lateral no estilo Defender, com scroll fluido e gráficos coloridos e detalhados. Tinha tudo para ser divertido, mas sofre da síndrome do botão único... O botão de ação lança um míssil que cai em parábola, então depende muito do seu posicionamento. Para atirar do jeito tradicional, é preciso usar o direcional para o lado e o botão de ação, e isso faz com que seja muito difícil desviar do fogo inimigo, assim como outros jogos de tiro do Atari com essa abordagem. Foi frustrante, pois o jogo começou promissor e aí meu avião explodiu até eu cansar de vez. E me lembrei que anteriormente na edição 14 da Jornada eu joguei um título chamado Seahawk  (assim, junto mesmo) e não havia curtido. Estranhamente ele apareceu novamente na lista, e uma vez mais o joguei. E realmente é o mesmo jogo, e parece que minha opinião sobre ele piorou um pouco...

O surpreendente Task Force é um jogo estilo Duck Hunt mas usando o controle normal. Aqui é preciso ser rápido: o objetivo é abater mafiosos com armas na mão antes que eles atirem em pessoas desarmadas. Foi mais divertido do que o esperado, mas a mira é meio lenta, então o jogo fica difícil demais e um game over é questão de tempo. O próximo da lista foi Tomcat: The F-14 Fighter Simulator, que é um desses simuladores de vôo burocráticos e pomposos em que a leitura do manual é obrigatória para conseguir fazer algo. Considerando o hardware do console, o jogo é muito bem feito e tem uma física convincente, levando em conta a angulação da aeronave, altitude, velocidade, etc. Mas é o tipo de jogo que exige um hardware mais sofisticado, então aqui no 2600 ele ficou bem monótono. De toda forma, os programadores merecem todo o mérito por reproduzir no velho Atari um jogo tão avançado em pleno 1988.


Dark Chambers chegou com tudo animando minha lista de jogos da edição, é mais um título que eu achei inacreditável. É um jogo de ação com visão aérea que mistura o estilo de Berzerk com Gauntlet (do arcade, não aquela decepção que nós vimos na edição 19 da Jornada...) e ainda com uma pitada de Zelda. E sim, o jogo funciona maravilhosamente bem. O personagem pode atirar ao apertar ou segurar o botão de ação ou usar alguns itens secundários como bombas ao apertar o botão duas vezes rapidamente. O jogo é bem grande para um título de Atari 2600 e tem várias nuances interessantes, como o fato de que ao atirar em inimigos mais fortes eles se transformam nos mais fracos. Maravilhosa surpresa, melhor jogo dessa edição. Depois de um clássico oculto, nada como rever um clássico famoso, e foi isto que Defender II apresentou ser. É bem mais interessante que o primeiro Defender no Atari, sendo uma conversão bastante fiel do primeiro Defender dos fliperamas (que analisei aqui ano passado), portanto é um dos melhores jogos de tiro disponíveis no Atari 2600. Altamente recomendado.

Passei depois uns minutos divertidos com Sprintmaster, que é um jogo de corrida com visão aérea estilo Micro Machines, com modo para um ou dois jogadores e uma boa variedade de pistas. Os controles são super responsivos, mas eu sou uma pereba nesse tipo de jogo. De todo modo, é um título divertido para quem tiver o mais remoto interesse em jogos de corrida. Terminando a sequência, fechei com Super Baseballe Super Football, que por sua vez não chamam muito a atenção e como comentei antes, ainda não tenho nenhum conhecimento dessas modalidades, portanto não tenho ainda uma opinião formada desses títulos. Quem sabe no futuro eu não aprenda as regras, assim eu poderei um dia curtir os jogos de esportes do Mega Drive, que segundo ouço dizer, são excelentes. Mas por enquanto não tenho uma opinião desses esportes.

 
Esses foram os jogos de 1988 no Atari 2600, e estou positivamente impressionado com o domínio que os desenvolvedores alcançaram desse hardware, aumentando em muito a vida útil deste console que foi tão popular (e continua sendo). Com certeza vou revisitar boa parte deles com mais calma no futuro.

Destaques: River Raid II, Dark Chambers, Defender II.
Piores momentos: Sea Hawk. 


 

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Análise 65: Pirate Ship Higemaru [Arcade]

O mês de julho começou animado aqui no blog. Há alguns meses, jogando o Capcom Classics Collection do PlayStation 2, conheci um jogo de labirinto bastante interessante: Pirate Ship Higemaru. O jogo chama a atenção por várias características interessantes, e é claro que ele logo entrou para minha lista de títulos a analisar, e é precisamente o assunto da publicação de hoje.

Lançado no importante ano de 1984 para os fliperamas, Pirate Ship Higemaru é um jogo de ação com visão aérea baseado em labirintos, com um conceito já explorado em Pengo - analisado aqui esses dias, podendo ser visto como uma abordagem da Capcom à jogabilidade deste clássico. O tema ártico e gélido de Pengo, no entanto, foi substituído aqui por uma ambientação em navios piratas. Aqui controlamos um marinheiro chamado Momotaro, que precisa derrotar uma tripulação inteira de piratas. Para isto, a principal arma à disposição do herói solitário são os barris espalhados pelo cenário formando labirintos, assim como os blocos de gelo no jogo da Sega. O grande recurso do personagem é a habilidade de pegar objetos pelos cenários e jogá-los nas quatro direções principais, já que ele não tem ataques próprios.

Flyer do jogo na época... Infelizmente não achei imagens do gabinete...

Qualquer pirata no caminho de um barril jogado por Momotaro é lançado para fora da tela, e a cada vez que um barril quebra no final da trajetória depois de ser jogado, o jogador acumula pontos, que são multiplicados com bônus quando acertam um ou mais inimigos. A cada 16 barris quebrados o jogador fica invencível por alguns segundos, bastando encostar nos inimigos para derrotá-los nesse ínterim. Os barris também podem conter itens que oferecem pontuações bônus para o jogador.


Cada segmento do navio é uma fase que tem um grupo de piratas a serem vencidos, finalizando quando o jogador conseguir acabar com todos eles. A cada fase, como esperado nesse tipo de jogo, a dificuldade aumenta e os inimigos ficam bem mais espertos e ágeis, gerando momentos de genuína tensão, da melhor forma possível. Isto aumenta em muito a diversão de Pirate Ship Higemaru. O jogo não tem um final específico, sendo o objetivo pura e simplesmente acumular pontos, como na maioria dos jogos da época. De toda forma, os barris vão sempre mudar de conformação, evitando que a mesma partida se repita na mesma sequência.



Os gráficos são cartunizados e seguem um padrão até superior e com mais detalhes que os outros dois jogos da Capcom que analisei aqui (Vulgus e SonSon). A movimentação é ágil e fluida, com controles perfeitamente responsivos, na medida para um jogo deste tipo, que é bastante exigente com a precisão do jogador. O ponto negativo fica por conta do áudio, que apesar de ter ótimos efeitos sonoros, tem uma música-tema que enjoa muito rápida e logo fica irritante. Assim como ocorreu em Vulgus, no entanto, o jogo foi tão divertido que deu para suportar a musiquinha em loop. Fora isto é um ótimo jogo. Conheci este título por meio da incrível coletânea Capcom Classics Collection do PlayStation 2 e joguei muito com minha esposa. Nós tivemos momentos excelentes com Pirate Ship Higemaru, sendo um jogo bastante intenso em fases avançadas e absurdamente divertido. Portanto, extremamente recomendável, principalmente para jogar ouvindo seus álbuns favoritos.