terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Análise 69: Space Harrier [Arcade]


Ano novo, vida nova... Todo começo de ano nós definimos o que fazer de diferente, estimulados em todos o sentidos, como se uma chavinha virasse e fosse de fato uma fase nova. Na prática, isto é um conceito inventado pela humanidade, de colocar uma fita métrica no tempo e medí-lo em horas, dias, anos... Mas se pensarmos de um modo mais otimista, é uma ideia muito interessante até espiritualmente falando, pois esta noção de ano novo nos estimula a navegar por novos mares a cada vez que recomeça um ciclo. Afinal é ano novo, portanto um novo paradigma - pelo menos em nosso imaginário... Então, para  não perder o velho hábito de mudar (por mais esquisita que a ideia pareça), algumas pequenas novidades vão aparecer nas próximas análises.  Logo ao início vou buscar tecer breves comentários sobre minha configuração para cada jogo postado. Por exemplo, foi no próprio console com cartucho? Foi com Flash Card ou Everdrive? Foi emulador? Ou alguma coletânea de jogos antigos lançada em algum sistema mais moderno? E os senhores vão notar que vou incluir um vídeo com alguns momentos da jogatina, sempre que possível. Vamos à análise, portanto.

O Space Harrier é um exemplar que joguei casualmente algumas vezes pelo emulador há alguns anos, porém foi a versão de Master System. Desde que comecei com as análises deste blog, tenho interesse em conferir o arcade de SH, pois parece mesmo ser um jogo historicamente importante nos anos 80. Pois bem, chegou a hora. Para esta análise joguei pelo emulador MAME em meu notebook, usando um controle USB da Retrolink, réplica do Sega Saturn. Aliás, que controle excelente para jogos antigos... Recomendo a todos, é fácil de achar pelo Aliexpress. Vale a pena esperar o frete. Assim como também valeu a pena tentar até conseguir configurar uma versão do MAME que rodasse esse jogo. Esse é um emulador enjoado, para dizer o mínimo, mas vale a pena. Por aqui deu certo com a versão 0142b. Pois bem, vamos ao jogo em si.

Um clássico dentro de outro clássico dispensa legendas...


Desenvolvido pela Sega e lançado em 1985 para os arcades, Space Harrier é considerado um dos maiores sucessos do desenvolvedor Yu Suzuki - famoso por grandes clássicos da Sega, como OutRun, Hang-On, Virtua Fighter, Shenmue... Trata-se de um jogo de tiro em terceira pessoa com uma progressão automática, que com o passar dos anos, críticos e jogadores chamariam de rail shooter. Dentre os mais antigos shooters, o mais parecido com Space Harrier é provavelmente Tempest (leia a análise aqui) da Atari, lançado em 1981. Space Harrier poderia ser bem definido como a evolução de Tempest e um ancestral de Star Fox e Panzer Dragoon.

O belíssimo gabinete de Space Harrier.
Créditos da foto: Harcore Gaming 101.
Aqui controlamos o protagonista Harrier, que está equipado com um canhão especial, que também serve como propulsor a jato, permitindo que ele voe e atire ao mesmo tempo. O personagem sempre estará posicionado no centro da tela, sendo preciso segurar o direcional na direção desejada, ou ele sempre vai se posicionar no centro. Parece um pouco diferente no início mas é muito simples se acostumar com essa dinâmica. É possível se movimentar em todas as direções da tela, porém não é possível parar/frear. O personagem perde uma vida se for atingido por algum inimigo, projétil ou obstáculo, devendo passar por cada fase atirando em tudo o que aparecer pela frente, quase sempre com um chefe de fase ao final de cada percurso (mais precisamente 15 entre 18 fases totais).






Os gráficos são muito à frente de sua época de lançamento: ele parece um jogo avançado da geração 16 bits, com uma velocidade e movimentação incrivelmente fluidos, que fazem vários jogos do Mega Drive parecerem lentos. Os sprites dos personagens são enormes e a progressão do cenário com o chão desenhado em quadriláteros se unem para transmitir uma sensação de profundidade em um visual pixelizado tridimensional. Se em pleno 2018 eu achei interessante o efeito gráfico de Space Harrier, fico imaginando o impacto visual que esse jogo teve em 1985.





Os sons também chamam muito a atenção por sua potência e profundidade, casando muito bem com a excelente trilha sonora composta por Hiroshi Kawaguchi (famoso por toda uma carreira trabalhando na Sega, com especial menção às inesquecíveis músicas de Out Run), munido com um sintetizador Yamaha DX7 fazendo excelente uso do chip FM dos arcades da Sega. Menção especial para o excelente baixo das músicas, com timbre cheio e marcante. Toda essa sonoridade incluiu também vozes digitalizadas mais limpas e claras que em qualquer outro videogame da época. Dessa forma, todo o clima da aventura está muito bem retratado.




Os controles originais do arcade são baseados em uma alavanca analógica, porém minha configuração aqui em casa também funcionou muito bem. Cada fase tem uma variedade grande de inimigos a abater, com desafio crescente, gerando uma experiência incrível mesmo no dia de hoje. A ação é veloz e furiosa, gerando algumas cenas inigualáveis em sua época de lançamento. Em suma, Space Harrier é divertido, viciante e desafiador. No MAME temos fichas ilimitadas à disposição, mas se imitarmos a experiência original do arcade de se usar poucas fichas, o jogo é realmente difícil. Recomendo Space Harrier a qualquer um que seja minimamente interessado em videogames em geral, realmente é um clássico.


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

A Indecisão ao Escolher o que Jogar... E Sobre Como Resolver

O ritmo de postagens do blog diminuiu bastante desde o segundo semestre e 2017, para uma quantia de publicações bem abaixo do que eu gostaria. De todo modo, o blog continua ativo e vivo, mesmo com textos mais esporádicos. Antes de iniciar este texto, eu gostaria de deixar aqui registrado que este post não faz apologia a nenhuma forma de pirataria, nem tampouco incentiva sua prática. Tudo o que está relatado aqui é uma visão pessoal sobre a realidade dos jogos de videogame na terra de Vera Cruz. Tão e somente isto. Sem maiores introduções, vamos lá!

Quando e como começamos a ter acesso a tantos jogos?


Eu me lembro muito claramente de quando eu era criança em 1999, época em que não era barato comprar um cartucho de Super NES, quanto menos ainda aqueles cartuchos incríveis de Nintendo 64 que eu apenas namorava de longe porque meu console era o SNES. Me lembro de que ter acesso a muitos jogos era algo impossível, pois mesmo ao alugar cartuchos o custo não era barato se fosse levar em conta o tempo que poderíamos passar com cada jogo. Isto sem contar os fliperamas/arcades, que permitiam apenas partidas muito curtas - embora divertidíssimas - que podiam sair bem caros, recorrendo no mesmo problema do aluguel de cartuchos: acabava saindo caro.

Não dava para ter muitos jogos, era preciso realmente escolher com cuidado.
Repare o Mission Impossible, mais caro do que o Mario 64
 
Talvez hoje em dia esses jogos de SNES nem pareçam tão caros, mas antigamente
esses valores impediam a montagem de uma coleção grande

Um belo dia, conheci o PlayStation por intermédio de um amigo de infância que o tinha comprado, porém com um detalhe crucial: era destravado e rodava CDs piratas. Eu achava impressionante como um console que a meus olhos de criança parecia tão incrível quanto o então inalcançável Nintendo 64, pudesse ter seus jogos tão baratos. E eu via que meus amigos com ps1 tinham jogos aos montes, do jeito que eu sempre quis ter para o SNES. A título de comparação, na prática, eu tive no máximo 8 cartuchos, acumulados em um período de 5 anos, e 5 deles eram piratões da galeria pajé (talvez um dia eu entre em detalhes neste sentido), enquanto que os amigos que tinham poucos jogos de PS1, tinham 20...

Tive também um Gameboy Color em 2001, mas apenas com Pokémon Silver que joguei por muito tempo, além de um cartucho pirata com 10 jogos antigos do Gameboy Classic. Lembrando que os cartuchos originais de GBC também eram caros. O tempo passou e aos 13 anos lá em 2003 eu pude ganhar um console novo, e optei por um Gamecube, sem levar em conta que eu poderia ter um PS2 destravado com muitos jogos... E como os jogos de GC eram muito caros e não tão simples de achar na minha cidade, tive poucos títulos em casa (poucos sim, mas inesquecíveis e que joguei à exaustão até abrir tudo) ao invés das muitas opções que eu viria a ter caso eu tivesse um PS2...

Wind Waker foi um jogo que esmiucei à exaustão na época


No entanto eu havia descoberto nesta mesma época algo que mudaria para sempre minha relação com os jogos: os emuladores para Windows. Em 2004 tínhamos em casa um PC razoavelmente bom para a época, que conseguia rodar o primeiro The Sims e o Sim City 3000 (que eu jogava muito!) com uma performance muito satisfatória, mas nada de rodar jogos atuais dessa época como Prince of Persia Sands of Time e Half Life 2 por exemplo... Não me lembro ao certo como aconteceu mas um dia eu baixei o emulador de Super Nintendo e algumas roms com conexão discada tarde da noite... De início eu não sabia como usar esses programas, mas ali no computador ficaram, até que eventualmente eu aprendi a usar o zsnes e ali estavam disponíveis jogos que eu não conseguiria comprar pois como falei antes, cartuchos originais eram muito caros na época ou difíceis de achar para comprar onde eu morava.


De repente eu podia jogar Zelda de SNES,
cartucho que nunca consegui encontrar na época

Fato é que o PC estava rodando Donkey kong Country 2 e 3, Zelda Link to the Past, Final Fantasy 2 e 3, Top Gear 2 e 3000... um monte de jogos caros que eu sempre quis ter no SNES e não tinha! E tudo isso levando apenas 30 a 45 minutos com o download de cada jogo. Embora hoje seja algo trivial, naquela época aquilo foi uma revelação tremenda, que ficou ainda melhor depois que começamos a ter banda larga pelo antigo Speedy. Pela primeira vez eu tinha uma coleção grande de jogos completos à disposição para curtir à vontade. 

Outro cartucho que nunca consegui achar na infância
Em algum momento adquiri um controle para PC (ainda nem era USB, era aquele modelo de pinos!!!) para jogar as roms de Super Nintendo que eu não conhecia ainda, pois só pelo teclado não era legal jogar os títulos de ação. Então talvez este momento entre 2004 a 2006 seja a primeira vez em que eu pude ter acesso a muitos jogos de uma só vez. Nessa época tive ainda acesso ao emulador de GBA quando o console ainda estava na ativa e seus cartuchos ainda eram inacessíveis de tão caros... tinha ainda opções de filtros de imagem... Enfim, nesse espaço entre o fundamental e o ensino médio eu fiz a festa com os jogos antigos. E foi nessa pegada que em 2007 eu com meus 16 anos concluí que eu não precisava do meu Super NES e doei para um amigo da família para que ele doasse a alguma criança na época.



Fato é que com o passar dos anos os computadores e os emuladores só melhoraram, aumentando a oferta de jogos disponíveis. Não apenas por meio dos emuladores ou piratões se tem muitos jogos, no entanto: a Steam e as lojas virtuais dos consoles modernos (em detrimento das mídias físicas) têm promoções diárias, tornando os jogos muito mais acessíveis hoje em dia. Como resultado, há de fato uma gama muito maior de títulos à nossa disposição para jogar.

De onde vem a indecisão?

Desde que passamos a ter maior acesso às informações e aos jogos em si, provavelmente o excesso de recomendações seja um dos motivos para começarmos tantos jogos sem no entanto levá-los a cabo. Sempre tem algum jogo "obrigatório" e clássico de algum console que deixamos passar, porque é impossível ter jogado de tudo na época desses sistemas antigos (e únicos do mercado livre... ¬ ¬). Desta forma, todos têm aquilo que o pessoal mais velho chama de "pecado gamístico". Outro fator óbvio e importante é que a cada geração que passa, aumenta o número de clássicos recomendáveis, assim como o acesso a eles, pois os emuladores melhoram a cada ano, assim como lojas online como a Steam apresentam cada vez mais opções e com ótimos preços e promoções. Sem contar os desbloqueios malucos que a comunidade desenvolve para consoles como PS2, Wii, Xbox, PSP... Isso leva ao que alguns chamam de síndrome do labirinto (muito bem explicada pelos excelentes Shugames e Projeto Jogatina), que é um nome sofisticado para a pura e simples indecisão.

Um importante ponto a lembrar é que a esmagadora maioria do pessoal que aprecia jogos antigos é composta das crianças daquela época, que hoje são adultos. E como é evidente, não temos muito tempo livre. Temos muitas obrigações, metas, famílias a cuidar, contas a pagar... Enfim, nós crescemos, portanto não temos mais todo aquele tempo livre para esmiuçar os jogos. Esses ingredientes se juntam à era digital para deixar nossa jogatina limitada, contribuindo muito para a indecisão. Esta indecisão, por sua vez, consome mais ainda do pouco tempo livre que temos, pois com ela perdemos o precioso tempo, ao invés de aproveitá-lo.

Com tantas opções ao alcance de nossos dedos para assistir,
é comum perder tempo escolhendo.

Aliás, isso não só ocorre com os jogos, mas também com livros, filmes e séries. Quem nunca ficou na dúvida de qual livro começar a ler? Quem nunca ficou vários minutos para decidir o que assistir no Netflix? Qual música tirar no violão? Meia hora para escolher um sabor de pizza?? Síndrome do labirinto por toda a parte dos meios de entretenimento, meus amigos...

E como resolver isto?

Entendo que o primeiro passo é simplificar as coisas: é importante aceitarmos que na fase adulta temos pouco tempo livre mesmo. Cada fase da vida tem seus contras, mas também têm sua cor e o seu valor. Considero importante aceitar a condição em que vivemos para que não sejamos eternos insatisfeitos com as condições do presente (sem desistir de melhorar, evidentemente). Segundo passo, não ter muito medo de perder tempo ao não gostar de algo e escolher logo o que fazer, não importa se é livro, jogo, filme, passeio... Tudo na vida tem seus bons momentos, não se importe em escolher a melhor coisa de acordo com criticas de especialistas ou opiniões alheias. Então este princípio se resume ao conceito de não pensar tanto antes de começar algo.

É importante também ressaltar que às vezes uma atividade lúdica destas pode ser vista de forma involuntária como algo parecido com um trabalho. Por exemplo: preciso zerar logo o jogo X para começar o jogo Y; ou, largar o jogo Y no meio porque o jogo Z é um clássico... Isto faz com que se perca a essência primordial de jogar videogames: relaxar, descontrair, curtir, e simplesmente estar mais calmo e feliz do que quando começamos. E não é por isso que jogávamos quando éramos meninos? Era porque era divertido, não porque tínhamos uma lista a seguir. 

Além das mudanças de pensamento, uma forma legal é mudar o comportamento ao jogar. Comigo, tem funcionado muito bem o seguinte: eu escolho algum jogo e vou jogando, independentemente de ter pouco tempo livre. Vou jogando e progredindo enquanto for divertido. Agora eu só paro no meio se eu não gostar do jogo, e não me forço a tentar zerar se eu não curtir. Nesse começo de ano, minha esposa e eu zeramos o New Super Mario Bros Wii no cooperativo e foi sensacional. Agora estamos tentando abrir as fases do mundo especial, e isto se deu naturalmente, porque o jogo não enjoou, portanto vamos jogando até enjoar. No modo single estou jogando o Mega Man Battle Network de GBA, que tem um sistema de batalhas absurdamente divertido. Às vezes passo dias sem jogar, mas estou voltando a ele sem pressa de zerar quando eu posso. Enquanto eu não paro com estes, nada de new game em outro jogo, nem para testar. Estou fazendo o mesmo com livros e filmes, sem pensar muito antes de começar. 

O início do jogo e seu sistema me causaram uma certa estranheza,
mas um pouco de paciência me brindou com um RPG super divertido.

Como hoje em dia temos acesso a tantos meios de entretenimento a cliques de distância, é preciso gerir este foco, não forçando-se a ir até o final com algo, mas sim descontraindo e focando no principal com uma atividade dessas: um momento de descontração e lazer. E gostaria de terminar estes comentários lembrando que uma das melhores coisas com um meio de entretenimento é interagir com pessoas queridas. Eu acredito que o "brincar" é uma das formas mais verdadeiras de se compartilhar momentos especiais e alegrias.

E vocês, o que acham sobre isso?


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Análise 68: Fantasy Zone [Arcade]


Lançado em 1986 pela Sega, Fantasy Zone surgiu primeiro nos arcades, pouco tempo após a Konami lançar seu famoso TwinBee. Fantasy Zone  ficou marcado como o jogo que estrelou o primeiro mascote da sega ainda antes de Alex Kidd: a nave Opa-Opa. A jogatina ocorre com a nave em fases com várias bases (algo parecido com Sinistar) para destruir, cada uma deixando como recompensa uma moeda. Quando todas elas são destruídas, aparece o chefe de fase, que ao ser derrotado deixa para trás uma enorme quantidade de moedas, além de abrir a próxima fase. As moedas servem como dinheiro para compra de vários powerups que são inéditos para jogos dessa época: é possível comprar tiros maiores, ou mais potentes, e até asas e turbinas para sua nave ser mais ágil e forte. Sim, asas. Opa-Opa é uma nave que tem asas e pezinhos, o negócio é bem viajado mesmo. 

Esse jogo é impressionante, ainda mais considerando a época de lançamento
A possibilidade de criar pernas e andar dá um charme único
 O estilo de movimentação é muito parecido com o clássico Defender. Aliás, Fantasy Zone me parece a evolução de Defender. Aqui a movimentação é extremamente fluida e os inimigos não dão trégua, tornando o título bem desafiante. Como Opa-Opa tem pezinhos, ela pode pousar no chão, assim brotando os pés e ela vai andando até levantar vôo novamente. Nesse último ano pude jogar muitos jogos de tiro da década de oitenta, mas nenhum deles apresentou tanta variedade de ação como este petardo da Sega... 








Ao pegarmos um balão vermelho na fase, temos acesso a uma loja e podemos atualizar as armas, bombas o motor de Opa-Opa, como comentei antes. Cada vez que um novo item é comprado, eles se tornam mais caros progressivamente, e quando perdemos uma vida, perdemos os powerups. Assim, o jogador irá preferir jogar o máximo possível sem os powerups, deixando para gastar as moedas no final do jogo - que é casca grossa... Imagino quantas fichas isso aqui devorava, pois é absurdamente divertido e viciante. 
Prepare-se para ver muitas vezes o excelente efeito de explosão da nave...
É possível trocar entre as armas ao pegar um balão amarelo na fase. Todas as suas escolhas têm um timer, dessa forma a jogatina fica incrivelmente dinâmica. Os gráficos são incrivelmente coloridos como em um desenho animado e a movimentação é fluida. Os sprites dos inimigos são muito nítidos e os chefes sao um show à parte, compostos por vários sprites independentes, apresentando um resultado visual impressionante. O áudio tem um excelente e marcante baixo, definindo o ritmo do tiroteio desenfreado. 


Controles muito bem responsivos garantem um jogo desafiador e difícil, mas em nenhum momento frustrante. Fantasy Zone pode ser resumidamente descrito como uma mistura de Defender com Sinistar. No final das contas, é um verdadeiro clássico da Sega, mostrando já em 1986 como a desenvolvedora japonesa dava indícios do que viriam a ser seus jogos: os símbolos de uma geração inteira.



sábado, 23 de dezembro de 2017

Retrospectiva 07 - O que joguei em 2017

Chega o final do ano e é tempo de relembrar os jogos que jogamos ao longo de 2017. Aqui não vou citar os jogos de Atari 2600 nem os títulos que analisei senão a coisa ficaria muito repetitiva. Resolvi, como sempre que faço essa retrospectiva, focar em coisas que joguei mas não citei aqui no blog. Esta retrospectiva é parte do meme "O que você jogou este ano" do excelente blog Marvox Brasil. 

Super Mario Galaxy  (Wii)

É um senhor jogo, que já joguei ano passado mas que continuei esse ano, apesar do pouco tempo que tive para explorar esse título a fundo. Parece repetitivo comentar , mas eu reforço tudo o que comentei sobre ele ano passado: gráficos perfeitos, trilha sonora inesquecível e um divertidíssimo uso do wiimote fazem deste meu jogo favorito do Wii  (e de toda a geração passada) até o momento. Ainda não peguei as 120 estrelas porque o tempo para jogá-lo ficou meio limitado. Mas eu ainda não desisti do desafio de pegar toas as estrelas...
Uma das muitas qualidades de Galaxy é ter algumas das melhores lutas contra chefes...
Knights of Pen and Paper (Android)

Uma verdadeira homenagem aos rpgs com muito bom humor e lotado de referências, KPP é um jogo de ar leve e descontraído que me divertiu muito entre momentos de espera entre um serviço e outro.

Beyond Two Souls  (PS3)

Este adventure exclusivo do ps3 foi criado pelo mesmo estúdio responsável pelo aclamado Heavy Rain. O carro chefe desse jogo é uma história profunda que mistura espiritualidade e ficção científica de forma magistral. A captura de movimentos e expressões faciais dos atores é primorosa e passa o clima de estarmos controlando uma super produção cinematográfica estrelando Ellen Page e Willem Dafoe. A dublagem é sensacional e a história, não linear, tem momentos inacreditáveis. Joguei com minha esposa no coop e curtimos muito cada minuto do jogo. É um jogo curto e com uma jogabilidade falha em alguns momentos, mas suas qualidades superam muito seus defeitos. Beyond Two Souls é um jogo inesquecível.

A fuga de trem é um dos momentos mais incríveis deste impressionante adventure.

The Lord of the Rings: Return of the King (GameCube)

Eu sou um admirador confesso da mitologia criada por Tolkien e seus personagens da Terra Média. O Senhor dos Anéis é meu livro favorito de toda a vida, e as excelentes adaptações para o cinema também são meus filmes favoritos (ultrapassando até mesmo O Rei Leão e Forrest Gump em minha preferência pessoal). Na época que este jogo saiu, eu era maluco para jogá-lo. Eu via nas revistas da época e achava sensacionais os gráficos... depois de adulto agora pude conhecer este jogo e não me arrependi. É um hack and slash muito bem feito, estilo Gauntlet. Joguei em coop com minha esposa e nos divertimos absurdamente. O jogo tem uma boa diversidade de fases e é muito fiel ao filme  (e por consequência aos livros também) e o coop é empolgante. Passa todo aquele clima de aventura medieval que a obra original transmite tão bem. Esse título é bastante desafiador, e várias vezes quase desistimos. O carisma de cada personagem e o excelente clima do jogo, no entanto, nos prenderam a ele até o final. É muito gratificante chegar do trabalho após um dia cheio, e depois de jantar ouvir a esposa dizer "E aí, vamos matar uns orcs?". E lá íamos nós matando orcs e curtindo cada momento. Pelo jogo em si que é super bem feito e pelos momentos divertidos no coop com minha esposa, esse foi um dos jogos que mais me marcaram esse ano.

Return of the King prima pela fidelidade ao mundo de Tolkien retratado nos filmes de Peter Jackson e Cia.

Yu-Gi-Oh! Worldwide Edition (GBA)

Aí está uma franquia da qual sempre gostei. Na época do lançamento eu sempre quis jogar, mas não tinha um GBA. Problema resolvido com o excelente visualboy advance para Android. Aqui as regras do card game são seguidas à risca nesse excelente simulador do jogo original. A variedade de cartas é enorme... O começo é um pouco difícil, mas progredindo um pouco mais nos duelos o deck tende a ficar mais equilibrado, facilitando muito a progressão. As muitas opções disponíveis garantem um alto fator replay em um formato excelente para um jogo portátil. O único defeito é o som, muito abaixo da média além de as músicas serem muito genéricas. Mesmo assim, é só deixar as coisas no mudo e se divertir com as cartas até enjoar. Gostei muito de ter jogado este aqui.

MotorStorm (PS3)

Mais uma que jogamos juntos aqui em casa. Até conhecer MotorStorm, o único jogo de corrida que minha esposa curtia era Mario Kart. Quando começamos MotorStorm, contudo, isso mudou. A diversidade de veículos e os cenários offroad garantem momentos dignos de um Mad Max da vida. Os tempos de loading são meio demorados, mas a excelente trilha sonora, bons gráficos e diversão desenfreada nos prenderam interessados no jogo por mais tempo. Jogar no meio de uma corrida insana revezando o controle com a esposa ouvindo Before I Forget do Slipknot ao fundo foi um dos ótimos momentos de jogatina aqui em casa esse ano. 

Rain God Mesa é uma das melhores pistas do jogo.

Crazy Taxi (Android)

A Sega acertou bonito com essa versão de Crazy Taxi. Joguei pelo Android e me surpreendi como o jogo funciona bem na tela de toque. O modelo de corridas desse jogo funciona incrivelmente para uma jogatina portátil. Apesar de alguns bugs irritantes aqui e ali, a adaptação é primorosa em todos os aspectos, mantendo até a empolgante trilha sonora do original de Dreamcast, com The Offspring, Bad Religion e tudo...
Este aqui salvou nas horas de espera ao longo do ano...


Mario Party 2 ( Nintendo 64) / Mario Party 5 (Gamecube)

A famosa série de jogos de tabuleiro multiplayer é um estouro desde o primeiro jogo lançado lá em 1999. A fórmula competitiva mais o componente de sorte desses jogos faz com que eles não envelheçam. Esse ano minha esposa e eu jogamos desde janeiro, sempre uma partida em algum raro final de semana livre. Jogamos tanto o segundo quanto o quinto, até o momento meus favoritos dessa série (ainda não pude jogar todos). Recomendadíssimos.

Meu Mario Party favorito no Nintendo 64

Até aqui só joguei o quinto no Gamecube
New Super Mario Bros. Wii (Wii)

A sequência do ótimo New Super Mario Bros de Nintendo DS (que joguei lá em 2013) parece exatamente o que o título sugere: uma versão aumentada e aprimorada para o Wii. Diferente do original, no qual o multiplayer é um ótimo extra, aqui ele é parte integral da experiência, pois aqui finalmente temos o verdadeiro multiplayer que desde Super Mario World todos queriam ver: um modo cooperativo com um a quatro jogadores na mesma fase. Eu já esperava um bom jogo, mas não imaginava que um multiplayer coop em um Mario 2D poderia ser tão divertido.



*

O ano de 2017 aqui no blog me deixou muito satisfeito, apesar do segundo semestre ter sido meio devagar. Foi possível publicar muita coisa que eu tinha em mente para esse espaço. Apesar de eu ter jogado muitos títulos diferentes, em poucos deles pude me aprofundar como antigamente eu podia fazer. Este ano foram realmente válvulas de escape, mas sem muito aprofundamento. Minha meta para 2018 é jogar menos títulos diferentes, porém com um maior envolvimento. A todos que acompanharam este blog em 2017, desejo uma excelente entrada de ano em todos os sentidos. Que venha 2018!


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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Retrospectiva 06: Blogs de Retro Gaming que você precisa conhecer (2017)

Este segundo semestre ficou meio devagar no blog, mas não esqueci dele. Muito pelo contrário. Há tempos estou com vontade de fazer esta postagem, e devido ao tempo absurdamente limitado esse semestre, tenho escrito em doses homeopáticas o rascunho deste texto, aos poucos mesmo. Aqui, resolvi fazer um apanhado dos blogs de jogos antigos mais interessantes que eu conheço. Talvez eu faça alguma injustiça e deixe de citar algum outro excelente blog, mas eu levei em conta as publicações que eu conhecia. Portanto se algum dos visitantes sentir falta de algum bom nome, por favor me digam que corrigirei a falha... Vamos então relembrar os blogs de retro gaming que você precisa conhecer.

Ulisses 8 bits
Talvez seja redundante dizer isto dos blogs desta lista, mas o U-8bits é claramente um blog escrito com amor. Há uma paixão latente pelos jogos de videogame como um todo, especialmente pelos mais antigos da década de 80. Especial destaque para as matérias de análise de publicações de revistas antigas. Tratam-se de verdadeiros registros da história dos videogames em língua portuguesa, e com muita qualidade. Uma verdadeira viagem no tempo, porém como disse antes, talvez isto seja redundante nesta lista.

Shugames
Blog com um bom tempo de estrada, é autoria de um dos antigos membros do site Gagá Games, o Cosmão. O grande diferencial do Shugames são os detonados e os especiais absolutamente detalhados e lotados de informações. Textos da melhor qualidade e um visual das postagens que remete diretamente às melhores revistas de jogos dos anos 90 tornam o Shugames uma parada obrigatória para qualquer um que tenha o mais remoto interesse por jogos antigos.

Aqui está um blog de retro gaming com MUITA personalidade própria. Os textos são ácidos, o negócio é rock n' roll mesmo. Como a própria descrição do blog diz, é para quem tem barba na cara... O charme do Nação Cucamonga é a fina ironia de alguns textos em suas análises detalhadas de jogos muitas vezes desconhecidos do grande público. Bom, pelo menos pra mim desconhecidos... Não satisfeito, o Doc Cucamonga ainda apresenta alguns reviews de discos clássicos do rock. Coisa fina mesmo. Enfim, é um blog adorável, leia hoje mesmo!

Acabei conhecendo este aqui meio que por acaso. O Supergame Retro fala de quase todas as gerações seja com análises ou retrospectivas. Por meio de um texto muito bem escrito ele ilustra bem os clássicos de outrora. Cito como maiores destaques as excelentes matérias sobre os jogos com melhores gráficos do Super NES e do Mega Drive. 

Escrito pelo J.F. Yoz, é um blog no mínimo peculiar no qual o autor, como o próprio nome sugere, desconstrói jogos, dissecando e colocando uma lente de aumento sobre os clássicos. É preciso ler para crer na absurda profundidade com que esse camarada trata os jogos em suas postagens. Extremamente bem escritas e informativas, suas postagens são um verdadeiro show de segredos dos videogames. Impressionante mesmo... Hoje em dia ele também tem seu canal no YouTube, complementado pelo próprio blog. Destaque mais do que especial para as excelentes matérias sobre Top Gear e Mario Kart 64. 

Retroplayers
Este aqui está muito mais para um site completo que um blog. Não faltam análises detalhadas, notícias, vídeos de reviews... Tudo muito bem produzido e com aquele clima fantástico dos anos 90 e suas saudosas revistas. 

É um blog que anda lado a lado com o canal do YouTube do dom Juanito. Como o nome sugere, é um blog baseado no SNES (meu console favorito) e é absurdamente completo. Sério mesmo, é um sonho para quem gosta do Super Nintendo. O cara manda bem demais... Canal épico para os fãs de SNES.

O gagá games foi um verdadeiro catalisador em sua época. A maioria dos blogs de jogos antigos tem alguma influência deste site (alguns deles escritos por seus antigos membros), e embora não seja atualizado com frequência, tem um registro maravilhoso de literatura retro gamer. Para ler até encher o saco mesmo... Especial menção aos diários de bordo (mistura de detonado com relatório de jogatinas) e para as cruzadas, nas quais os colunistas Gagá e Piga jogavam todos os jogos do catálogo de algum console clássico (destaque para as cruzadas de Master System e jaguar). Enfim, um site velho que merece ser lido e relido.

Blog do meu amigo Cássio que também escreveu no Gagá Games na década de 90 (hahaha). O junk tech tem uma abordagem um pouco mais metafísica dos jogos antigos e um texto cabeça bem diferente do habitual nos blogs e canais da vida. Embora tenha pouco texto no momento, fica a recomendação pela qualidade do texto e seus temas ímpares. Recomendadíssimo.

Mais uma recomendação que está mais para um site do que para um blog, a Locadora é fonte de textos que pegam bem na veia da nostalgia. Escrito pelo Ivo, que além de ter ótima memória, tem muita gratidão por bons momentos da vida. Como resultado seus textos transbordam uma nostalgia bruta e verdadeira que vai fazer você lembrar do primeiro videogame e de suas amizades na infância. Textos muito bem estruturados que vão com certeza manter sua atenção. 

*

Esses foram alguns dos blogs de jogos antigos que pude lembrar para fazer este apanhado. Qualquer um deles será uma excelente leitura, pois são todos escritos com o maior capricho.


sábado, 11 de novembro de 2017

Back to the Nineties 02: Primeiras Lembranças do Super Nintendo


A primeira vez em que vi um Super Nintendo foi mais ou menos assim...


O objetivo com esta nova coluna do blog - Back to the Nineties - é relembrar os jogos que joguei quando criança por meio da memória... Aqui eu busco revisitar estes jogos e momentos, retratando a experiência conforme minha lembrança dessa época. Vamos então ao assunto de hoje, que foi a primeira vez em que vi um Super Nintendo. Aos 7 anos de idade, já órfão do Master System que morreu afogado coisa de um ano, um ano e meio antes, em uma visita à casa de um dos meus tios avós, tive meu primeiro contato com um Super Nintendo. Meu primo na época deveria já estar batendo em uns 17 ou 18 anos e tinha permitido que eu jogasse aquele impressionante videogame à vontade. Qual cartucho estava lá? Simplesmente Donkey Kong Country 2. Em 1997 era um jogo relativamente novo, tendo sido lançado em 1995. Evidentemente eu não sabia disso naquela época, mas aquele momento foi algo especial. Se Alex Kidd no Master System me impressionava, DKC2 foi algo completamente inédito, assim como o próprio Super Nintendo. Aquele sistema de cor clara e seus botões roxos... Cartuchos que podiam ser trocados era algo que eu nunca havia visto até então, pois na época do Master eu só tinha o Alex Kidd da memória, por isso aquela entrada de cartuchos atrás do Super Compact era meio que lendária para mim: eu sabia que os cartuchos existiam, mas nunca havia visto.



Até aquele dia em que meu primo colocou DKC2 para eu jogar. O controle do SNES era de um conforto absurdo, fazia-se sentir natural nas mãos, diferente daquele controlão da Sega que eu conectava direto na televisão. E depois do estalo do botão power, o momento épico da vinheta da Rareware. Nunca eu havia escutado um som tão limpo e real em um videogame: aquilo parecia coisa de filme, e as coisas só melhoraram a cada tela. Por alguns minutos que pareceram horas eu contemplei a tela inicial com Diddy e Dixie contra os Kremlins. E obviamente eu nada sabia desses nomes. Passada a admiração da tela inicial começou o jogo em uma tela estranha para mim: uma ilha vista de longe. Descobri que aquilo era um mapa em que continham as fases do jogo, que começava de fato em um navio pirata. Logo ao começar a primeira fase, mais um momento contemplativo: parecia que estávamos mesmo em um navio! Ele balançava e rangia com as ondas, e aquela música... Fiquei impressionado, realmente.



Esse momento foi épico lá em 1997!
Andando um pouco pela fase, o primeiro inimigo era um rato. E logo nele já perdi uma vida. Lembrem-se de que o único jogo que eu conhecia até então era Alex Kidd, e eu não conhecia esse conceito de pular em cima dos bichinhos. Depois de várias vidas e um game over eu entendi esse esquema de controle, e a satisfação foi enorme, porque assim o jogo fluiu. As coisas iam bem até que eu encontrei um jacaré muito louco dentro de um barril. Aquele bicho me dava um pouco de medo... Mas veio logo o alívio porque logo ao lado tinha a fase bônus com sua música marcante. Mais tarde eu perceberia que músicas incríveis não faltam em DKC2, mas o melhor ainda estava por vir. No meio da fase dei de cara com uma caixa com um rinoceronte desenhado. O que seria aquilo? Pulei em cima dela, e para minha surpresa saiu um rinoceronte e meus macaquinhos montaram ele! A diversão absurda que foi controlar o rinoceronte quando eu tinha 7 anos é difícil de explicar. Mas ficou aquela indignação quando passei pela placa perto do final da fase e ele sumiu...






Na época, achei um absurdo poder ficar pouco tempo com o rinoceronte...






E finalmente passei da primeira fase, com mais uma ótima vinheta ao final. A segunda fase foi ainda mais impressionante pois se passava no alto do mastro do navio, com sua neblina, vento e música de tom épico e um pouco melancólico criando um clima sensacional. Nesse dia me lembro claramente de que não passei dessa fase, mas a partir de então ter um Super Nintendo se tornou uma espécie de sonho, e eu esperaria até no natal de 98 até que finalmente teria meu próprio console novamente. Mas isto é uma conversa para um outro dia.


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Análise 67: Gauntlet [Arcade]

Depois de um bom tempo sem novas análises no blog, hoje vou falar um pouco sobre um dos jogos mais influentes da década de 1980: Gauntlet. Desenvolvido por Ed Logg e lançado pela Atari Games em 1985 para os fliperamas, é um jogo de ação com visão aérea no qual temos personagens que podem mover-se livremente pelo cenário eliminando hordas de inimigos pelo caminho, formando um estilo que hoje em dia chama-se hack n' slash, em uma clara alusão às principais ações da jogatina: cortar e golpear.



Gauntlet ajudou a sedimentar um subgênero entre os jogos de ação para jogos que priorizam o combate em relação a outros pontos de uma jogatina. Tal estilo de jogo foi decisivo para a formação de inúmeros jogos com forte ênfase em combate, como por exemplo Dynasty Warriors, God of War, Devil May Cry, entre tantos outros, incluindo até mesmo RPGs como Diablo e Dungeon Explorer. Embora seja considerado fundamental para tal segmento de jogos, o design básico de Gauntlet tem influências marcadas de Dandy, lançado em 1983 para Atari 8-bit. Após um pouco de leitura nas referências da Wikipedia, cheguei a uma postagem interessantíssima do site Atari Protos, que me remeteu diretamente a uma das últimas edições da minha Jornada Atari 2600 aqui no blog. Na edição 27 eu falei sobre um título que me surpreendeu muito positivamente: Dark Chambers, que foi simplesmente como jogar Gauntlet no Atari 2600. Um feito impressionante o Atari velho de guerra rodar um clone extremamente bem feito deste clássico do arcade, marcante mesmo. Eis que surgiu a grande surpresa quando descobri que na realidade é Gauntlet que foi o clone de Dark Chambers. Mas Se Dark Chambers é de 1988, como é que Gauntlet lançado em 1985 poderia ser um clone?





De acordo com os autores do Atari Protos, no ano de 1983 o programador John Palevich desenvolveu o já citado Dandy para os computadores da família Atari 8 bit, sendo um dos primeiros jogos na história a oferecer um jogo de ação cooperativo para quatro jogadores simultaneamente. Em 1985, Ed Logg da Atari Games lançou com grande êxito o então inédito Gauntlet para os arcades, usando Dandy como inspiração para a estrutura básica do jogo, ficando realmente parecido com seu influenciador - mesmo que notoriamente mais complexo. Isto gerou uma ação judicial de John Palevich, que foi resolvida extra judicialmente na época. Ainda segundo o Atari Protos, dizem os rumores que na época o sr. Palevich teria ganho uma máquina original de Gauntlet... Mas é apenas um rumor com alta probabilidade de ser inverossímil, embora seja no mínimo curioso. Alguns anos depois, em 1988, a Atari resolveu relançar o Dandy de 1983 para 2600, 7800 e XE, usando dessa vez o nome Dark Chambers, dando o devido crédito ao criador original John Palevich, e assim não houveram mais confrontações entre as partes... No final das contas, Gauntlet foi o jogo que acabou ficando conhecido do grande público e se tornou a base dos jogos hack and slash por décadas até os dias de hoje, embora a franquia original esteja fora da evidência mainstream.


E afinal, o jogo é bom? O visual de Gauntlet tem um jeito sóbrio que encaixa perfeitamente com o tema de explorar um calabouço e seus labirintos. Os personagens estão bem caracterizados e os inimigos têm um nível de detalhe surpreendente para a época de seu lançamento, e o tempo todo a tela está lotada de inimigos se movimentando sem nenhuma perda de velocidade nas animações. O clima é incrementado pelo áudio com uma trilha de tom soturno e cavernoso, complementada por vozes digitalizadas que trazem toda uma autenticidade para a exploração dos labirintos. Controlar os personagens do jogo é sensacional, com comandos simples e movimentação ágil com um timing perfeito de resposta aos comandos, o que significa que nunca se perde por falha no controle.

 



Aqui é preciso explorar os níveis de um calabouço coletando itens e dinheiro. Além da energia do personagem, é preciso monitorar a fome, gerando um senso de urgência nas ações e pressionando o jogador criando um clima de tensão para cada jogatina. É possível jogar em até 4 jogadores simultaneamente, havendo 4 classes disponíveis: guerreiro, mago, valquíria e elfo, cada qual com um estilo de jogo. Dizem que o modo multiplayer é sensacional, porém não pude jogá-lo. Até este momento consegui testar apenas o single player mesmo pela Midway Arcade Treasures do PS2, e realmente não deu para jogar em coop em casa porque não tivemos tempo ainda, infelizmente. Mas está aqui na lista de títulos a jogar. Gostei muito de jogar Gauntlet e a qualidade técnica do jogo me surpreendeu de verdade, considerando a época. O estilo do jogo não envelhece, e o senso de aventura continua fresco como imagino que deva ter sido em 1985.